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sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Bilionário André Esteves passa a noite em presídio no Rio de Janeiro

Bilionário André Esteves passa a noite em presídio no Rio de Janeiro

Dono do banco BTG Pactual está preso em Bangu 8. Advogados vão entrar com um novo recurso no STF.

O dono do banco BTG Pactual, André Esteves, está na penitenciária de Bangu, no Rio. Os advogados dele pretendem entrar com um recurso no Supremo Tribunal Federal.
Foi uma mudança brusca. Na terça-feira, o bilionário André Esteves dormiu em seu apartamento de 600 metros quadrados em Ipanema, zona sul do Rio. É um dos edifícios mais caros do país. Um imóvel no prédio foi avaliado em R$ 70 milhões em 2014.
Na noite de quinta-feira (26), André Esteves dormiu em um presídio na zona oeste do Rio, conhecido como Bangu 8.
O banqueiro está sozinho numa cela que tem cerca de seis metros quadrados. Um beliche e um banheiro. A água do chuveiro é fria. Tem direito a um banho de sol por dia, durante duas horas.
André Esteves está vestindo o uniforme dos presidiários: camisa branca, calça jeans e sandálias de borracha.
As refeições também são as mesmas. No almoço: arroz, feijão, purê de batata, moela de frango e guaraná natural.
A foto de André Esteves preso ainda não foi incluída no sistema de identificação penitenciária. Ele foi transferido na noite de quinta-feira, depois que o ministro do Supremo Tribunal Federal Teori Zavascki negou o pedido do advogado do banqueiro para soltá-lo.
André Esteves, dono do banco BTG Pactual, é investigado pela Procuradoria da República porque teria tido acesso a um esboço sigiloso do acordo de delação premiada do ex-diretor da Petrobras, Nestor Cerveró.
De acordo com as investigações, o senador Delcídio do Amaral e o banqueiro temiam ser citados por Cerveró.
Segundo a procuradoria-geral da República, Delcídio ofereceu pagar R$ 4 milhões ao advogado Edson Ribeiro e negociou com André Esteves para que o banqueiro arcasse com os valores do acordo.
O advogado de André Esteves nega as acusações e disse que vai recorrer novamente ao Supremo Tribunal Federal.
“Nós vamos esperar a manifestação do Ministério Público. Porque nós entendemos que há uma desnecessidade da prorrogação dessa prisão. Eu acho que nós colaboramos. Estamos à disposição para continuar colaborando. Mas não vejo nenhum sentido, nada que tenha acontecido que justificasse a manutenção dessa prisão”, declarou Carlos de Almeida Castro, advogado de André Esteves.
A prisão de André Esteves é provisória e vai até domingo. Pode ser prorrogada por mais cinco dias. Se a procuradoria da República pedir prisão preventiva e a Justiça autorizar, não existe prazo para soltura.
A mulher do banqueiro entrou nesta sexta com pedido pra visitá-lo na prisão. E no mesmo dia, o secretário de administração penitenciária autorizou. Mas até agora, segundo a secretaria, o banqueiro não recebeu visitas.

Rede e PPS avisam que vão pedir cassação do mandato de Delcídio

Rede e PPS avisam que vão pedir cassação do mandato de Delcídio

Silêncio do presidente do Senado fez partidos mudarem de estratégia. Rede e PPS assumiram o compromisso de representar contra Delcídio.

A Rede Sustentabilidade e o PPS anunciaram que vão acionar o Conselho de Ética na próxima terça-feira pela cassação do mandato do senador Delcídio.
O silêncio dos últimos dias do presidente do Senado, Renan Calheiros, do PMDB, levou os partidos de oposição a mudar a estratégia e partir para a ofensiva. Na quinta-feira (26), o PSDB disse que pode pedir a abertura de processo contra o senador Delcídio do Amaral por quebra do decoro parlamentar no Conselho de Ética. Na sexta-feira (27), Rede e PPS assumiram publicamente o compromisso de representar contra Delcídio.
“O fato de um membro do Senado da República estar preso mostra que é necessário representar ao Conselho de Ética”, diz o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), líder do partido.
Os partidos de oposição vão insistir que a obrigação de tomar a iniciativa é de Renan Calheiros, que cabe a ele consultar a mesa diretora do Senado e acionar o Conselho de Ética, independentemente da ação dos partidos. Renan foi procurado pelo Jornal Nacional, mas não se manifestou.
A mesa diretora tem sete senadores titulares. Três deles - Renan Calheiros, Romero Jucá e Gladson Cameli são investigados na Lava Jato. Dos sete, dois são do PT e votaram para soltar Delcídio do Amaral.
Pelo regimento do Senado, cabe ao presidente do Conselho de Ética, senador João Alberto, doPMDB, decidir se dá prosseguimento ao pedido dos partidos quando ele for apresentado. Na quarta-feira (25), João Alberto também votou no plenário para soltar Delcídio.
“Pra mim, não se configurou que tivesse havido um flagrante e não havendo flagrante, ele não poderia prender um senador. Não significa que eu não modifique minha opinião diante de fatos comprovados que possam ocorrer e levado ao Conselho de Ética”, afirma João Alberto (PMDB-MA), presidente do Conselho de Ética.

Andrade Gutierrez confessa propina e vai pagar multa de R$ 1 bilhão

Andrade Gutierrez confessa propina e vai pagar multa de R$ 1 bilhão

Empreiteira fechou acordo com a Procuradoria Geral da República e
confessou o pagamento de propina em obras da Copa e da Petrobras.

A empreiteira Andrade Gutierrez fechou um acordo com a Procuradoria Geral da República e confessou o pagamento de propina em obras da Copa do Mundo e da Petrobras.
O acordo da Andrade Gutierrez com a Procuradoria Geral da República prevê que a empreiteira pague R$ 1 bilhão de multa.

A construtora também terá que implantar programas que estabeleçam punições a executivos envolvidos em atos de corrupção. Relatórios desses programas deverão ser apresentados periodicamente ao Ministério Público Federal.

Os investigadores acusam a Andrade Gutierrez de fazer parte do cartel que combinava os resultados de licitações na Petrobras.

Os executivos da Andrade Gutierrez - incluindo o ex-presidente Otávio Marques de Azevedo - estão presos em Curitiba e já respondem na Justiça por crimes como corrupção e lavagem de dinheiro.

Pelos termos do acordo, eles darão detalhes do pagamento de propina para ex-dirigentes da Petrobras, e também da participação nas fraudes cometidas em outras obras.

A Andrade Gutierrez participou da reforma ou construção de estádios da Copa do Mundo: o Maracanã, no Rio, o Mané Garrincha, em Brasília, o Beira-Rio, em Porto Alegre, e a Arena Amazônia.

A empreiteira atuou ainda na construção do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro, o Comperj, e liderou o consórcio de empreiteiras da hidrelétrica de Belo Monte. Orçada inicialmente em R$ 16 bilhões, a obra já saltou para quase R$ 30 bilhões. A primeira turbina de Belo Monte entraria em funcionamento no início deste ano, mas o cronograma está atrasado.
Esta semana o Ibama deu licença pra operação. A usina começará a encher o reservatório. A primeira turbina deve funcionar em março de 2016.
A Andrade também participou do consórcio de Angra 3. As suspeitas de fraude na construção já estão sendo investigadas pelo Ministério Público Federal.
A Andrade Gutierrez é a quinta empresa a fechar acordo desde o início da Lava-Jato e espera, com isso, ser liberada para firmar novos contratos com empresas do setor público.
A multa de R$ 1 bilhão será a maior paga até agora. A Camargo Corrêa, também investigada no escândalo, aceitou pagar R$ 800 milhões de multa. 
A Andrade Gutierrez só informou que não pretende se manifestar sobre o assunto. O advogado da empresa, Celso Vilardi, nega que o acordo esteja fechado. Ele ainda precisa ser homologado pelo Supremo Tribunal Federal.
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Delcídio do Amaral depõe e explica interesse na libertação de Cerveró

Delcídio do Amaral depõe e explica interesse na libertação de Cerveró

Senador disse que tinha interesse na libertação por questões humanitárias. Ele negou ter feito contato com autoridades que tinha relatado na conversa.

O Jornal Nacional teve acesso ao conteúdo do primeiro depoimento do senador Delcídio do Amaral depois da prisão. Ele é acusado de tentar comprar o silêncio de Nestor Cerveró e de oferecer um plano de fuga ao ex-diretor da Petrobras. Na Polícia Federal, pra justificar o interesse na soltura de Cerveró, o senador petista alegou questões humanitárias.
Delcídio confirmou que era mesmo a voz dele na gravação feita pelo filho de Nestor Cerveró, Bernardo Cerveró. Disse que tinha interesse na soltura de Nestor Cerveró, mas por motivos pessoais, por ter trabalhado com ele na Petrobras, por conhecer a família e por presumir o sofrimento a que vinha sendo submetido. Segundo o senador, por questões humanitárias.
Delcídio também disse que soube pela imprensa que Nestor Cerveró estava negociando um acordo de delação premiada e que não temia o conteúdo da delação. A suspeita de que ele estava tentando impedir um acordo surgiu em um trecho da conversa gravada por Bernardo. 
Edson Ribeiro: Só pra colocar. O que que eu combinei com o Nestor: que ele negaria tudo com relação a você e tudo com relação ao BTG. Tudo. Não é isso?
Bernardo Cerveró: Sim.
Edson Ribeiro: Tá acertado isso. Então não vai ter. Não tendo delação, ficaria acertado isso. Não tendo delação. Tá? E se houvesse delação, ele também excluiria. Não é isto?
Delcídio do Amaral: É isso.
O senador Delcídio do Amaral também negou que tivesse procurado ministros do Supremo Tribunal Federal para conseguir ajuda para Cerveró. Disse que eram, na verdade, "palavras de conforto" ao filho de Cerveró.
O senador disse que não falou nem esteve com o ministro Teori Zavascki, nem com qualquer outro ministro do STF e que não solicitou ao ministro Dias Toffoli, nem ao senador Renan Calheiros, tampouco ao vice-presidente da República, Michel Temer, que estabelecessem contato com o ministro Gilmar Mendes para tratar de assuntos relacionados a Nestor Cerveró.
Questionado sobre um trecho da conversa gravada em que cita o nome Michel, Delcídio esclareceu que se referiu ao vice-presidente da República, Michel Temer, porque "segundo informações que se tinha na época, ele mantinha relação próxima com Jorge Zelada", ex-diretor da Petrobras preso na Operação Lava Jato. No entanto, quando foi perguntado em que consistia essa proximidade, preferiu não responder. 
O vice-presidente respondeu em nota que já foi apresentado a Jorge Zelada, mas não o indicou para o cargo nem trabalhou para sua manutenção. Portanto, nega qualquer relação de proximidade com Jorge Zelada e repudia veementemente as declarações do senador Delcídio do Amaral.
Delcídio do Amaral contou ainda que, em 2003 ou 2004, época em que Nestor Cerveró assumiu a diretoria internacional da Petrobras, foi consultado pela então ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff, sobre a possível nomeação de Cerveró. Delcídio disse que a presidente conhecia Cerveró desde a época em que era secretária de Energia do Rio Grande do Sul, durante o governo de Olívio Dutra.
O senador também foi perguntado sobre as suas relações com André Esteves, dono do bancoBTG Pactual, que foi preso na quarta (25), mesmo dia em que ele. Segundo as investigações, o senador e o banqueiro temiam que Cerveró revelasse o envolvimento deles em irregularidades que estão sendo investigadas na Lava Jato. Questionado se, num determinado trecho da conversa, se referia a André Esteves, Delcídio primeiro disse que não se via em condições de confirmar. A polícia então mostrou para ele outro trecho do diálogo.
Delcídio do Amaral: Ele disse “não Delcídio, não tem problema nenhum, olha, eu estou interessado, eu preciso resolver isso, o meu banco é enorme se eu tiver problema com o meu banco eu estou f..., só para te historiar, vai que você não conhece essa história. Oh, eu quero ajudar, quero atender o advogado, quero atender a família, ajudo, sou companheiro, pá, pá”. E a conversa fluiu bem.
Só aí Delcídio confirmou que se referia ao banqueiro, mas depois disso se recusou a esclarecer o episódio.
Depois de quase quatro horas de depoimento, Delcídio do Amaral alegou cansaço e pediu para continuar em outro dia. Por isso, vai ser ouvido mais uma vez na semana que vem, quando os investigadores vão fazer perguntas sobre o plano de fuga que ele teria oferecido a Cerveró e também sobre a suposta mesada de R$ 50 mil prometida à família do ex-diretor da Petrobras.
A assessoria do senador disse que, nessa sexta-feira (27), ele está abatido, mas sereno, e concentrado em sua defesa. Vai passar o fim de semana estudando o processo.
Ele continuará na mesma sala em que está desde quarta-feira (25). Ela tem quase 11 m² e fica no térreo da Superintendência, em Brasília, tem uma cama e uma mesa no canto. O banheiro é do lado de fora.
A assessoria do Palácio do Planalto negou que a presidente Dilma tenha consultado o senador Delcídio do Amaral ou qualquer outra pessoa sobre a nomeação de Nestor Cerveró para a diretoria da Petrobras. Declarou ainda que Dilma nunca manteve relações pessoais com Nestor Cerveró, nem antes, nem depois da nomeação dele para a diretoria da Petrobras.

Ex-advogado de Cerveró é preso ao desembarcar no Rio de Janeiro

Ex-advogado de Cerveró é preso ao desembarcar no Rio de Janeiro

Edson Ribeiro participou da conversa com o senador Delcídio do Amaral gravada pelo filho do ex-diretor da Petrobras, Bernardo Cerveró.



Foi preso na manhã desta sexta-feira (27), no Aeroporto Internacional do Rio, o advogado Edson Ribeiro. O defensor do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró tinha acabado de chegar de Miami.
O advogado foi levado para a sede da Polícia Federal do Rio pouco antes das 10h. Quando saiu do carro, Edson Ribeiro estava sem algemas e apenas com uma mochila.
Na quinta-feira (26), ele tinha entrado na lista vermelha da Interpol, que é o alerta máximo sobre procurados no mundo todo.  O advogado já estava em Miami quando saiu a ordem de prisão no Brasil. As autoridades americanas o localizaram e suspenderam o visto dele. Mas Edson Ribeiro avisou à Justiça brasileira que iria se entregar no Brasil. Pagou pela passagem e viajou sozinho.
Edson Ribeiro tem 58 anos, é sócio de um escritório de advogados que fica no centro do Rio e defendeu Nestor Cerveró na Lava Jato. A Procuradoria Geral da República afirma que ele e o senador Delcídio do Amaral tentaram interferir no acordo de delação premiada de Cerveró e que a intenção era evitar que o ex-diretor da Petrobras citasse os nomes do senador e do banqueiroAndré Esteves, dono do BTG Pactual. Os dois foram presos na quarta-feira (25).
A principal prova é a gravação de uma reunião entre o filho de Cerveró, Bernardo, o senador e Edson Ribeiro num hotel de Brasília no dia 4 de novembro de 2015. A conversa foi gravada por Bernardo.
Edson Ribeiro: Só pra colocar. O que eu combinei com o Nestor: que ele negaria tudo com relação a você e tudo com relação ao BTG. Tudo. Não é isso?
Bernardo Cerveró: Sim
Edson Ribeiro: Tá acertado isso. Então não vai ter. Não tendo delação, ficaria acertado isso. Não tendo delação. Tá? E, se houvesse delação, ele também excluiria. Não é isso?
Delcídio do Amaral: É isso.
De acordo com as investigações, o senador ofereceu R$ 4 milhões a Cerveró e o dinheiro seria pago em honorários ao advogado Edson Ribeiro.
Em outro trecho da gravação, Edson também fala com o senador Delcídio Amaral sobre um plano de fuga para Cerveró, caso ele fosse solto.
Delcídio do Amaral: Não mas a saída pra ele melhor, é a saída pelo Paraguai.
Bernardo Cerveró: Mercosul...
Edson Ribeiro: Mercosul, porque o pessoal tem convenções no Mercosul, a informação é muito rápida.
Delcídio do Amaral: É?
Edson Ribeiro: E ao inverso? Seria melhor, porque ele está no Paraná, atravessa o Paraguai.
Delcídio do Amaral: A fronteira seca...
Edson Ribeiro: Entendeu, e vai embora, eu já levei muita gente por ali.
O advogado de Edson Ribeiro negou todas as acusações e disse que Edson esteve na reunião como estratégia e defesa de Cerveró. “O Edson Ribeiro jamais ajudou o Cerveró ou quem quer que seja em plano de fuga. Foi uma linha de estratégia adotada pelo advogado, no sentido de trazer elementos, colher informações que pudessem ajudar na defesa do seu cliente”, diz o advogado Bruno Espiñeira.
A OAB do Rio de Janeiro suspendeu preventivamente, nesta sexta-feira (27), o registro de advogado de Edson Ribeiro. No fim da tarde, o ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal, negou o pedido para revogar a prisão dele e determinou que Edson Ribeiro fosse transferido da carceragem da Polícia Federal para um presidio.
Na noite desta sexta (27), Edson Ribeiro foi levado da sede da PF para o presídio Ary Franco, na zona norte do Rio.
A defesa de Edson Ribeiro afirmou que a decisão da OAB de suspender o registro foi precipitada e equivocada, porque o advogado deveria ter sido ouvido antes.
Fonte e vídeo: Jornal Nacional

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