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terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Para Cunha, papel do Senado no impeachment é 'meramente formal'

Para Cunha, papel do Senado no impeachment é 'meramente formal'

Com troca de relator no Conselho de Ética, processo voltou ao estágio inicial


POR 
O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) - Givaldo Barbosa / Agência O Globo

Na sexta-feira, a presidente Dilma, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), apresentaram ao Supremo Tribunal Federal pareceres que contestam o rito do processo de impeachment defendido pelo presidente da Câmara. Eles alegam que os senadores terão de decidir se Dilma será mesmo afastada do cargo e se o processo de impeachment deverá ser instaurado.
BRASÍLIA - O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), contestou nesta segunda-feira a interpretação de que caberá ao Senado dar a palavra final se o plenário da Câmara for favorável à abertura do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Para Cunha, a instauração do processo pelo Senado deve ser um “ato meramente formal”, já que, em sua avaliação, “não tem sentido” a Câmara deliberar por dois terços e o resultado ser alterado, por maioria simples, na outra Casa.
– A constituição é muito clara, diz no seu artigo 86 que, aceita a denúncia pela Câmara dos Deputados, infração penal comum vai para o Supremo e crime de responsabilidade para o Senado Federal. E o presidente é afastado na instauração do processo no Senado Federal. A discussão que está havendo é outra. É que eles estão entendendo que a instauração não é um ato meramente formal, é um ato que demanda deliberação. E usam como argumentação os artigos 44 a 49 da lei 1079, que trata de impeachment de procurador-geral da República e de ministro do STF, que é competência exclusiva do Senado, não é das duas Casas – afirmou.

– Se a lei 1.079 quisesse ter um tratamento igual para todos os pedidos de impeachment, ela não teria artigo separado, ela já faria menção a um rito único para todos, mas ela diferenciou. Há divergência de opiniões. Acho que vai ser feita uma discussão jurídica, mas entendo que o Senado tem um ato formal de instauração e tem o papel do julgamento – disse, completando:
Cunha admitiu que há divergências de opinião sobre o tema e que caberá ao Supremo definir o rito.
– O ato de instaurar o processo pelo Senado é um ato meramente formal, não cabe revisão da decisão da Câmara. Senão, a Câmara não precisaria deliberar. Por que a Câmara deliberou? Não tem sentido a Câmara deliberar por dois terços para o Senado revogar por maioria simples. Não tem muito sentido você ter uma deliberação numa Casa com dois terços de quórum qualificado e uma outra Casa, por maioria simples, poder mudar. Não tem muita lógica isso. Com base na argumentação que eles estão fazendo, e também levaremos nossa argumentação, com certeza o Supremo vai decidir.
CONSELHO DE ÉTICA
O presidente da Câmara, disse que é preciso respeitar os novos prazos no Conselho de Ética para não “cercear” seu direito de defesa. Em entrevista coletiva, ele foi questionado se acreditava que o órgão conseguiria votar a admissibilidade do processo este ano. Cunha disse que, quando houve troca de relator, o processo retornou ao “estágio inicial”.
– Não sei, o recesso é só dia 22, tem tempo para isso. O objetivo não é esse. Obviamente, o processo, na hora que houve uma troca de relator, retornou ao estágio inicial. Então, é natural que vai ter relatório, pedido de vista, a defesa vai ter que ser apresentada em função do novo relatório, vai ter que conhecer para poder apresentar a defesa. Cercear meu direito de defesa não é uma boa coisa. Isso é que acaba gerando as controvérsias. Se tivesse feito tudo corretamente, cumprindo o regimento, já teria sido votada essa admissibilidade há bastante tempo – afirmou o presidente da Câmara, completando que deverá haver pedido de vista mesmo que o relatório de Marcos Rogério seja igual ao de Pinato:

Antes de a
 ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Rosa Weber negar a liminar que pedia a volta do deputado Fausto Pinato (PRB-SP) à relatoria de processo contra ele, o presidente da Câmara afirmou que seu advogado, Marcelo Nobre, pediria ao Supremo que fosse analisado pelo ministro Luís Roberto Barroso o recurso.– Acredito que é natural, senão, como é que a defesa vai se apresentar? A defesa vai ter que falar por último, tem que conhecer o relatório para poder apresentar, faz parte do processo. Mesmo que seja o mesmo relatório. Dificilmente um relator vai subscrever o mesmo relatório, mas mesmo que seja o mesmo, o processo retornou ao estágio inicial, então cabem outros argumentos a serem colocados, até porque outros argumentos foram aditados de lá para cá.
O peemedebista alegou que, quando ingressou no Supremo com um recurso pedindo o afastamento de Pinato, Barroso decidiu que o assunto deveria ser tratado pela própria Câmara, por se tratar de uma questão “interna corporis”. Agora, Cunha queria que Corte tivesse a mesma avaliação, para manter Pinato afastado. Na semana passada, uma decisão do vice-presidente da Câmara, deputado Waldir Maranhão (PP-MA) – próximo aliado de Cunha – decidiu que Pinato não poderia permanecer na relatoria do caso.


segunda-feira, 27 de julho de 2015

Para Cunha, PT deveria discutir afastamento de Dilma antes do dele

Para Cunha, PT deveria discutir afastamento de Dilma antes do dele
O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB), em encontro com empresários em São Paulo

Moacyr Lopes Junior/Folhapress

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB), em encontro com empresários em São Paulo

GUSTAVO URIBE
DANIELA LIMA
DE SÃO PAULO

27/07/2015  14h56 - Atualizado às 16h29

Em mais uma crítica direta ao PT, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), afirmou nesta segunda-feira (27) que o partido deveria discutir o afastamento da presidente Dilma Rousseff (PT) antes de sair em defesa de sua saída temporária da presidência da Casa Legislativa.

Em entrevista coletiva após almoço com empresários em São Paulo, o peemedebista rebateu discurso pregado por lideranças petistas em seminário estadual do partido promovido neste final de semana em Minas Gerais, que teve a presença do presidente nacional do PT, Rui Falcão.

Em uma provocação, o presidente da Casa Legislativa sugeriu ao partido que inclusive adote a tese do impeachment da petista.

"Os mesmos princípios que eles têm para mim, eles devem ter para todos os os quadros deles que são por ventura investigados ou suspeitos de qualquer coisa. Se eles pedem qualquer tipo de coisa em relação a mim, deviam começar pedindo o afastamento de ministros e talvez discutindo o da própria presidente. Talvez eles possam aderir à tese do impeachment", recomendou.

Segundo o deputado federal, a defesa de seu afastamento por dirigentes petista o deixa satisfeito, uma vez que considera a legenda sua inimiga.

"O PT é meu adversário, todos já sabem. Se ele tem pedido a minha destituição, só me dá alegria. Se o PT defendesse minha permanência, talvez eu pudesse estar errado", afirmou.

O peemedebista disse que não pretende se afastar do comando da Casa Legislativa e ressaltou não estar preocupado com a hipótese de perder apoio na Câmara dos Deputados em decorrência de depoimento do lobista Júlio Camargo de que teria pedido US$ 5 milhões em propina em um contrato de navios-sonda da Petrobras.

VOLUME MORTO

Mais cedo, durante o encontro com empresários, Cunha já havia criticado o governo e a presidente. Segundo ele, o PT, "para a sociedade, já baixou do volume morto" e tem impopularidade maior do que a da mandatária do Planalto.

A análise é uma referência a declarações feitas em privado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e reveladas, no início deste mês, pelo jornal "O Globo". Na ocasião, ao falar sobre a crise política que o partido atravessa, Lula disse que ele e Dilma estavam "no volume morto".

"A impopularidade do PT consegue ser maior que a impopularidade de Dilma Rousseff hoje", disse Cunha. "Talvez, o PT tenha até arrastado a impopularidade dela mais para baixo do que poderia ser", concluiu.

O encontro foi organizado pelo Lide (Grupo de Líderes Empresariais). Antes da chegada de Cunha, dez jovens protestaram contra ele em frente ao hotel onde aconteceria o evento.

O presidente da Câmara, que recentemente declarou ser, pessoalmente, oposição ao governo, voltou a atribuir ao poder Executivo a aparição de seu nome na investigação da Operação Lava Jato.

TEMOR

Cunha se definiu como vítima de um ataque "com as digitais bem definidas". "Quis ser independente de um poder Executivo que todo mundo sabe que não me engole, todo mundo sabe que não quis que eu fosse presidente, que não se conformou com aquilo que foi feito e que, de certa forma, teme a continuidade do nosso trabalho", afirmou.

Questionado sobre um possível processo de impeachment da presidente, o peemedebista fez questão de afirmar que terá uma posição equilibrada e que o assunto é complexo e com reflexos penosos para o país.

"Vou tratar a todos [os pedidos de impeachment de forma técnica, sob a ótica jurídica", disse.

O presidente da Câmara, no entanto, voltou a criticar o ajuste fiscal proposto pelo governo –nas palavras dele, "pífio"– e apostou que o as metas de economia para pagamento da dívida pública não serão cumpridas.

Para Cunha, haverá um agravamento do cenário e as propostas do governo até agora são insuficientes. Ele vê risco de rebaixamento das notas de crédito do Brasil e afirma que o cenário é de insegurança para o empresariado.

COVARDIA

Logo no início de sua fala, Cunha tratou sobre as especulações de que poderia se recolher diante das acusações de envolvimento na Lava Jato. "Eu não costumo reagir colocando a cabeça debaixo do buraco", afirmou. "A história não reserva espaço para os covardes. Eles não vão impedir o meu livre exercício da liderança parlamentar", concluiu.

Apesar de ressaltar que seu rompimento com o governo é "pessoal", ele disse acreditar que hoje, no PMDB, os favoráveis à saída do partido da aliança que sustenta a gestão Dilma Rousseff são maioria na cúpula da sigla. O PMDB tem o vice-presidente da República, Michel Temer. 

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