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sábado, 31 de outubro de 2015

Relatório do Coaf mostra movimentações milionárias nas contas de Lula, Palocci, Pimentel e Erenice




Relatório do Coaf mostra movimentações milionárias nas contas de Lula, Palocci, Pimentel e Erenice


Um relatório da agência do governo de combate à lavagem de dinheiro revela que os quatro, entre outros petistas, movimentaram quase meio bilhão de reais em transações com indício de irregularidades

THIAGO BRONZATTO
31/10/2015 - 00h17 - Atualizado 31/10/2015 00h40


Há duas semanas, analistas do Conselho de Controle de Atividades Financeiras, mais conhecido pela sigla Coaf, terminaram o trabalho mais difícil que já fizeram. O Coaf, subordinado oficialmente aoMinistério da Fazenda, é a agência do governo responsável por combater a lavagem de dinheiro no Brasil. Reúne, analisa e compartilha com o Ministério Público e a Polícia Federal informações sobre operações financeiras com suspeita de irregularidades. Naquela sexta-feira, dia 23 de outubro, os analistas do Coaf entregavam à chefia o Relatório de Inteligência Financeira 18.340. Em 32 páginas, eles apresentaram o que lhes foi pedido: todas as transações bancárias, com indícios de irregularidades, envolvendo, entre outros, os quatro principais chefes petistas sob investigação da PF, do Ministério Público e do Congresso.

Revista ÉPOCA - capa da edição 908 - O dinheiro suspeito (Foto: Revista ÉPOCA/Divulgação)
Eis o quarteto que estrela o relatório: Luiz Inácio Lula da Silva, ex-presidente da República, líder máximo do PT e hoje lobista; Antonio Palocci, ministro da Casa Civil no primeiro mandato de Dilma Rousseff, operador da campanha presidencial de 2010 e hoje lobista;Erenice Guerra, ministra da Casa Civil no segundo mandato de Lula, amiga de Dilma e hoje lobista; e, por fim, Fernando Pimentel, ministro na primeira gestão Dilma, também operador da campanha presidencial de 2010, hoje governador de Minas Gerais. O Relatório 18.340, ao qual ÉPOCA teve acesso, foi enviado à CPI do BNDES. As informações contidas nele ajudarão, também, investigadores da Receita, da PF e do MP a avançar nas apurações dos esquemas multimilionários descobertos nas três operações que sacodem o Brasil: Lava Jato, Acrônimo e Zelotes. Essas investigações, aparentemente díspares entre si, têm muito em comum. Envolvem políticos da aliança que governa o país e grandes empresários. No caso da CPI do BNDES, os parlamentares investigam as suspeitas de que os líderes petistas tenham se locupletado com as operações de financiamento do banco, sobretudo as que beneficiaram o cartel de empreiteiras do petrolão.
SEGURO O ex-presidente  Lula e o relatório do Coaf (acima). Também foram identificadas operações de compra de títulos  de previdência  por R$ 6,2 milhões (Foto:  )

Ao todo, foram examinadas as contas bancárias e as aplicações financeiras de 103 pessoas e 188 empresas ligadas ao quarteto petista. As operações somam – prepare-se – quase meio bilhão de reais. Somente as transações envolvendo os quatro petistas representam cerca de R$ 300 milhões. Palocci, por exemplo, movimentou na conta-corrente de sua empresa de consultoria a quantia de R$ 185 milhões. Trata-se da maior devassa já realizada nas contas de pessoas que passaram pelo governo do PT. Há indícios de diversas irregularidades. Vão de transações financeiras incompatíveis com o patrimônio a saques em espécie, passando pela resistência em informar o motivo de uma grande operação e a incapacidade de comprovar a origem legal dos recursos.
LOBISTA Erenice, ex-ministra de Lula. Uma empresa de seu filho recebeu dinheiro de Fábio Baracat, suspeito de pagar propinas por contratos com o governo  (Foto:  )

FARTURA A empresa de Palocci movimentou as maiores quantias. O relatório (acima) mostra, entre seus clientes, a Caoa, suspeita de comprar uma medida provisória (Foto:  )

MISTÉRIO O governador Pimentel também fez aplicações de R$ 676 mil no mercado segurador sem prestar informações sobre a origem do dinheiro, segundo o Coaf (acima) (Foto:  )

O Coaf não faz juízo sobre as operações. Somente relata movimentações financeiras suspeitas de acordo com a lei e regras do mercado, como saques de dinheiro vivo na boca do caixa ou depósitos de larga monta que não tenham explicação aparente. O Coaf recebe essas informações diretamente dos bancos e corretoras. Eles são obrigados, também nos casos previstos em lei, a alertar o Coaf de operações “atípicas” envolvendo seus clientes. É obrigação do Coaf avisar as autoridades sobre operações suspeitas de crimes. A lavagem de dinheiro existe para esquentar recursos que tenham origem ou finalidade criminosa, como pagamentos de propina. Não cabe ao Coaf estipular se determinada transação é ilegal ou não. Cabe a ele somente informar a existência dessa transação às autoridades competentes, caso essa transação contenha características de uma operação de lavagem de dinheiro. Foi isso que o Coaf fez no caso do quarteto petista. Cabe agora à PF, ao MP e ao Congresso trabalhar detidamente sobre as informações reveladas pelo Coaf.
GRANDE FAMÍLIA Lula e família. Uma de suas empresas transferiu R$ 48 mil a Fernando Bittar, sócio de um dos filhos do petista e dono de um sítio abribuído ao ex-presidente (Foto:  )
 
>> Leia a reportagem em ÉPOCA desta semana

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Após recesso, CPI deve convocar Dirceu, Palocci, Mercadante e Edinho

Painel

Após recesso, CPI deve convocar Dirceu, Palocci, Mercadante e Edinho

PAINEL
23/07/15   

NATUZA NERY (interina)
A vingança começa Na volta do recesso, a CPI da Petrobras foi instruída a votar todos os requerimentos que estão na gaveta. As convocações dos ministros Aloizio Mercadante (Casa Civil) e Edinho Silva (Secom) são dadas como certas pela cúpula da comissão. Na mesma leva estão os depoimentos dos ex-ministros Antonio Palocci e José Dirceu. Na avaliação de setores do governo, será uma missão quase impossível barrar a articulação costurada para constranger o Palácio do Planalto e o PT.
Data venia 1 Integrantes do Supremo dizem acompanhar com preocupação as ameaças de convocação dos advogados de investigados da Lava Jato à CPI. A saída de Beatriz Catta Preta do caso acendeu o sinal de alerta.
Data venia 2 Ministros afirmam que a ação debilita o direito de defesa e que os gestos apontam confusão entre advogados e investigados.
Ajuste Na madrugada de terça-feira, horas antes da deflagração da Politeia, procuradores precisaram procurar Ricardo Lewandowski para pedir um mandado de busca de última hora. A força-tarefa havia descoberto o endereço de um escritório vinculado a Fernando Collor em Maceió.
Cadê? Relator do processo sobre as pedaladas fiscais no TCU, Augusto Nardes fechou-se em copas e não tem conversado com outros ministros. Até os favoráveis ao governo dizem que só ele “pode mudar o curso da história”. Ou seja: mesmo dividida, a corte deve votar de forma unânime com Nardes.
Holofote Internamente, há muito incômodo com as movimentações de Nardes, que concedeu diversas entrevistas nas últimas semanas. A avaliação nos bastidores é que ele politizou o processo.
Eu não O governo pediu uma reunião com todos os ministros do TCU para apresentar sua defesa. Alguns integrantes ameaçam boicote e querem cancelar o encontro.
Rigor da lei O secretário paulistano de Relações Governamentais, Alexandre Padilha, decidiu ir à Justiça contra o homem que o hostilizou e atacou o programa Mais Médicos em um restaurante na capital, há dois meses.
Ombro amigo O ex-ministro Guido Mantega (Fazenda), que também foi alvo de insultos, receberá um ato de desagravo de petistas.
Sinal cruzado A equipe econômica ficou irritada com alas do governo que defendiam a redução da meta do superavit primário, mas conseguiu assegurar um corte extra no Orçamento.
Zero a zero Na avaliação de petistas que torciam pela revisão da meta para aumentar investimentos na área social, o resultado das mudanças não ajudará a diminuir a crise política, alimentada pelas dificuldades econômicas.
Negócios Antes de anunciar a redução, Joaquim Levy (Fazenda) pediu apoio à aprovação da medida no Congresso a Renan Calheiros (PMDB-AL) que no fim de semana chamou o ajuste fiscal de tacanho. Romero Jucá (PMDB-RR) deve relatar proposta de mudança.
Otimismo Levy procurou colegas de governo para convencê-los de que há sinais de reação da arrecadação pela recuperação da atividade econômica neste terceiro trimestre. Disse a eles que o governo pode vir a descontingenciar parte do Orçamento.
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Micro Dilma Rousseff arranjou tempo para organizar o aniversário de cinco anos de seu neto Gabriel, em setembro. Quem acompanhou os preparativos da avó coruja notou que ela chegou até mesmo a cobrar a lista dos animadores da festa infantil.
Visita à Folha Jaime Abello Banfi, diretor-geral da FNPI (Fundación Gabriel García Márquez para el Nuevo Periodismo Iberoamericano), e Ricardo Corredor Cure, diretor-executivo, visitaram ontem a Folha.

TIROTEIO
A redução mostra que o governo Dilma está sempre atrasado… Mas o pior deficit é o real, que cresce sem parar por causa dos juros.
DO SENADOR JOSÉ SERRA (PSDB-SP), sobre decisão do governo federal de reduzir a meta do superavit primário em 2015 de 1,1% para 0,15% do PIB.

CONTRAPONTO
A confissão do presidente
Na sessão do início de junho em que a Câmara votou a reforma política, um dos temas em pauta foi a coincidência das eleições. Pela proposta, prefeitos e vereadores passariam a ser eleitos no mesmo ano da disputa presidencial. Para argumentar contra o projeto, Mendes Thame (PSDB-SP), nascido em 1946, apelou à experiência:
—Senhor presidente Eduardo Cunha, em 1982, houve coincidência de eleições. Possivelmente, V. Exa., tão jovem, ainda não fosse candidato, mas em 1982…
Cunha, 12 anos mais novo, interrompeu o tucano:
—Até tentei, mas não tive legenda… —confessou, arrancando risos do plenário.

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