terça-feira, 31 de maio de 2016

Armadilha Odebrecht (II)

Armadilha Odebrecht (II)


“A Odebrecht e o Ministério Público Federal assinaram na quarta passada o documento que formaliza a negociação de delação premiada e de leniência da empreiteira no âmbito da Operação Lava Jato”, informa a repórter chapa branca da Folha de S. Paulo.
Ela continua:
“A empreiteira se comprometeu oficialmente a detalhar o financiamento de todas as campanhas majoritárias de anos recentes com as quais colaborou –como as de Dilma Rousseff a presidente da República e Michel Temer vice e a de Aécio Neves a presidente, em 2014. Ou seja, nenhum dos grandes partidos (PT, PSDB e PMDB) deve ser poupado.
Os procuradores negociaram para ter acesso a toda a contabilidade de caixa dois da empresa, o que pode envolver centenas de políticos e até mesmo autoridades de outros poderes. Para se ter uma ideia do alcance dos dados que devem ser fornecidos, só numa das operações de busca e apreensão feitas na empreiteira foi encontrada uma lista com o nome de mais de 300 políticos”.
A tática do petismo será misturar tudo: caixa 2 com propina, lavagem de dinheiro com financiamento ilegal de campanha, receptadores com mandantes.
A Lava Jato sempre soube distinguir um crime do outro.
Espera-se que Rodrigo Janot não caia nessa armadilha, que já foi descrita em O Antagonista, em outubro do ano passado:
A armadilha da Odebrecht
Brasil 10.10.15 06:16
Marcelo Odebrecht mandou preparar um falso dossiê sobre suas offshores e, em seguida, repassá-lo para a Época.
Foi o que revelou a própria Época, a partir da análise das mensagens do empreiteiro.
A armadilha tinha o propósito de desmoralizar as denúncias contra a Odebrecht.
O Antagonista, em 23 de julho, mostrou que a tática já foi usada pela empresa no passado.
Releia:
"Armadilha Bisol/contra-infos. RA? EA/Veja?”.
Essa mensagem de Marcelo Odebrecht que a PF encontrou em seu telefone celular tem uma história que precisa ser revista.
Em 1993, a PF apreendeu 18 caixas de documentos na casa de um diretor da Odebrecht.
Segundo os investigadores, os documentos indicavam “a existência de um cartel das grandes empreiteiras para fraudar as licitações de obras públicas”. Os documentos indicavam também que a Odebrecht havia distribuído propina a dezenas de parlamentares.
José Paulo Bisol, relator da CPI das Empreiteiras e candidato a vice-presidente na chapa de Lula em 1989, passou à Veja uma lista com mais de 200 políticos que, segundo os documentos da Odebrecht, teriam recebido presentes.
Tratava-se de uma armadilha: a armadilha Bisol.
Na realidade, muitos dos parlamentares citados haviam recebido apenas brindes da empreiteira, como calendários e agendas. Quando José Paulo Bisol misturou os corruptos aos inocentes, os corruptos foram inocentados.
A CPI das Empreiteiras, desmoralizada, foi arquivada. E a Odebrecht continuou com seu cartel e com seus pagamentos aos políticos.

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