sábado, 8 de abril de 2017

Olho no Olho Live - João Doria entrevista o ex jogador de basquete Oscar...

Doria admite disputar governo do Estado em 2018 ‘se Alckmin pedir’

Doria admite disputar governo do Estado em 2018 ‘se Alckmin pedir’
Já a candidatura à Presidência da República seria, segundo o prefeito de São Paulo, uma ‘deslealdade’ com o padrinho político nas atuais circunstâncis

Adriana Ferraz, Bia Reis e Pedro Venceslau ,
O Estado de S. Paulo

08 Abril 2017 | 00h00
Foto: ALEX SILVA/ESTADAO




Domínio da cena. ‘O melhor que posso dar para a democracia brasileira é ser um bom prefeito da cidade de São Paulo, e é o que tenho feito’
Próximo dos cem dias de governo, que se completam nesta segunda-feira, o prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), admitiu ao Estado pela primeira vez que pode deixar o cargo para se candidatar ao governo estadual. Isso caso haja um pedido do governador Geraldo Alckmin (PSDB), ao qual reforça a fidelidade sempre que confrontado com a possibilidade de uma candidatura a presidente.
Em entrevista para falar dos primeiros dias à frente da Prefeitura da mais importante cidade do País, Doria se mostra no controle de tudo o que ocorre em sua volta e “acelera” ao destacar números e ações como gestor. Sem parar um minuto, compartilha parte da conversa pelo Instagram e admite que o uso das redes sociais já é uma de suas marcas, amplamente copiada. 
O senhor tem dito reiterada vezes que vai 'prefeitar' pelos quatro anos, mas tem feito, ao mesmo tempo, um discurso nacional e sempre muito crítico ao Lula e ao PT, evocando o antipetismo. Por que manter isso, com Bandeira do Brasil, hino cantado pela Fafá de Belém, se não é candidato a presidente?
Não precisa excluir a Bandeira do Brasil para ser municipalista e defender os temas de São Paulo. Cantar o Hino Nacional também não evoca nenhum antagonismo ao Lula e ao PT, tampouco a Fafá de Belém. E o meu discurso é o mesmo que usei durante a campanha. Não mudei, apesar de não estar em campanha. Mas o meu discurso antipetista vai prosseguir, é muito claro. Preservo a figura do Fernando Haddad porque reconheço nele uma boa pessoa, um fato raríssimo dentro do PT, ele é honesto, mas não poupo o PT nem vou poupar.
Dentro do PSDB, há um desconforto entre aliados do governador Geraldo Alckmin sobre uma possível aproximação sua com o senador Aécio Neves para ser candidato a presidente. Tem acontecido?
Nenhum desconforto. O que tenho feito é administrar a cidade e com uma boa margem de êxito. Uma pesquisa pública (Instituto Paraná) demonstra 70% de índice de aprovação, a maior marca da história para os três primeiros meses de um prefeito em São Paulo e mesmo fora (o Datafolha apontou 44% de aprovação em fevereiro). Muito elevado, o que, evidentemente cria uma onda elevando a outros patamares.
Há uma onda então para levá-lo a disputar a Presidência, o senhor admite?
Existe, mas ela não é nem provocada por nós nem alimentada ou acolhida por nós.
Quando o senhor faz um discurso que termina com "Viva o Brasil, viva o povo brasileiro", durante uma formatura de sargentos da PM, não está incentivando, provocando essa onda?
Não. A onda é provocada pela eficiência da gestão. Não tenho 70% de aprovação porque falo da Bandeira Brasileira, canto o Hino Nacional ou me refiro ao Brasil. Mas devo afirmar a você que São Paulo é a capital do Brasil.
Por que então rebate comentários de Ciro Gomes ou Fernando Henrique Cardoso, sobre sua suposta candidatura?
Faço de forma bem humorada, gosto desse embate político bem humorado.
Se o nome do senhor surgir de forma competitiva em alguma pesquisa de intenção de voto para presidente, ano que vem, e houver uma pressão do PSDB, pensaria nesta hipótese?
O melhor que posso dar para a democracia brasileira é ser um bom prefeito da cidade de São Paulo, é o que tenho feito. Meu candidato para Presidência da República é o Geraldo Alckmin, já reafirmei isso diversas vezes.
O senhor acha que isso está colando? As pessoas acreditam nisso?
Eu acredito. Não tenho a capacidade de mover as pessoas, mas tenho a capacidade de ser leal e falar a verdade: Geraldo Alckmin é o meu candidato a Presidência da República. É um homem correto, um bom gestor, um bom administrador, um homem em quem eu confio e, além disso, tenho o dever da lealdade com ele.
Ele confia que o senhor não será candidato?
Confia. Sabe da minha lealdade.
E se ele pedir para o senhor ser candidato a governador?
Bom, se ele pedir, mais adiante ou no futuro, vamos analisar essa situação. Hoje ela não existe, não houve apelo. Eu nem sequer trato desse assunto com o governador, que sabe da minha lealdade. Aliás, um dos valores que preservo é a lealdade.
Seria uma traição do senhor pegar a vaga dele no partido na disputa eleitoral?
Seria desleal não manter a minha linha de apoio ao Geraldo Alckmin como meu candidato à Presidência. Ele é um homem correto, um homem bom, fazendo um excelente governo no Estado de São Paulo. 
Seria desleal com o Alckmin então ser candidato em 2018?
Nas (atuais) circunstâncias, sim. Ele tem todas as condições para seguir sua trajetória. Defende o que eu defendo: prévias para a Presidência, assim como para o governo do Estado. É um bom caminho, bastante democrático e a melhor antítese ao caciquismo e defesa de privilégios.
Por que falar tanto do Lula então? Parece uma obsessão?
Adoro eles e eles me adoram também.
O senhor acredita que o senador Aécio Neves, depois as últimas delações, ainda pode ser considerado um presidenciável?
É um grande nome, um nome de peso dentro do PSDB. Acredito que ele saberá formular sua defesa e apresentá-la de maneira a ser inocentado. É um homem bom e correto.
O que o senhor achou da declaração do deputado Jair Bolsonaro sobre vocês serem diferentes dos demais políticos?
Não cabe a mim fazer essa análise. Não me autointitulo. Não sou de esquerda nem de direita nem de centro. Sou um gestor, um administrador, não quero fazer política, quero fazer gestão.
O senhor então deixa aberta a possibilidade de ser candidato ao governo, caso Alckmin peça?
Com o Geraldo tenho uma relação de dever, de amizade, de confiança, que será preservado sempre.
O senhor atribui sua popularidade também ao modo como o senhor se relaciona com o eleitorado nas redes sociais? 
Sim, é fato. A gestão se faz na prática, naquilo que você realiza, nas boas práticas para a saúde, educação, mobilidade, segurança, para as atividades que compõem a Prefeitura. A comunicação também representa uma forma de prestar contas à população, seja ela sua eleitora ou não. Apenas tenho utilizado esses mecanismos, de uma comunicação presente, transparente e constante. 
A população aprova o senhor por que o senhor é bom de marketing ou por que sua gestão é boa?
Pergunte para a população.
O senhor já declarou ser favorável à reforma previdenciária. Recentemente, o presidente Michel Temer retirou os servidores da lista de trabalhadores que serão afetados com as novas normas, repassando essa função aos Estados e Municípios. Existe um projeto de lei em trâmite na Câmara que estabelece teto e aposentadoria complementar para o funcionalismo municipal. O senhor é favorável?
Somos surpreendidos com essa decisão, mas entendo que foi um movimento estratégico para viabilizar a aprovação da nova Previdência no âmbito federal. Como eu apoio essa mudança, preferi de forma resignada não fazer nenhum tipo de manifestação e dar tratos a bola para que o programa de Previdência do Município possa ser implementado. E vamos tomar como referência o que o governo do Estado já vem estabelecendo, bem dentro dessa linha. Talvez não haja necessidade de se aprovar o que está na Câmara. Um grupo de trabalho está estudando esse assunto, mas, muito provavelmente, vamos seguir os mesmos ritos do governo estadual.

Fachin deve liberar vídeo de delatores

Fachin deve liberar vídeo de delatores
Tendência de relator da Lava Jato no Supremo é contestada por advogado de 16 executivos da Odebrecht

Breno Pires ,
O Estado de S.Paulo
07 Abril 2017 | 20h22

BRASÍLIA - Em meio à expectativa sobre a resposta aos 320 pedidos da Procuradoria-Geral da República baseados nas delações da Odebrecht, o ministro Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), deve rejeitar pedidos dos advogados de delatores para impedir a divulgação de vídeos dos depoimentos prestados, segundo apurou o Broadcast, serviço de notícia em tempo real do Grupo Estado.
Foto: Fellipe Sampaio/SCO/STF

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin
Um dos fundamentos que devem ser levados em conta nas decisões é um artigo da lei que define organização criminosa e regulamenta as delações premiadas (Nº 12.850/2013), segundo o qual o registro audiovisual confere maior fidelidade às informações dos colaboradores.
Conforme o Estado antecipou em 11 de março, advogados de grande parte dos 78 executivos e ex-executivos da Odebrecht tentam evitar que os vídeos em que os delatores prestam depoimento ao Ministério Público Federal sejam divulgados à imprensa. Os pedidos foram apresentados individualmente. Responsável pelo acordo de colaboração premiada de 16 executivos da Odebrecht, o criminalista Guilherme San Juan é um deles. "Não posso me manifestar acerca de uma decisão que não tenho conhecimento sequer se foi proferida. No entanto, o requerido pela defesa tem como base o texto da Lei 12.850/13, segundo a qual é direito do colaborador ter nome, qualificação, imagem e demais informações pessoais preservados" afirma em nota o advogado.
As decisões de Fachin serão reveladas ainda em abril, de acordo com o próprio ministro, em declaração na semana passada. Ele confirmou que os despachos serão publicados em conjunto, negando, assim, rumores de que pedidos de arquivamento fossem respondidos antes.
Ao todo, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, encaminhou ao STF 320 pedidos - além dos 83 pedidos de abertura de inquérito, foram 211 de declínios de competência para outras instâncias da Justiça, nos casos que envolvem pessoas sem prerrogativa de foro, sete pedidos de arquivamento e 19 de outras providências.
A questão do fim do sigilo das delações é mais complexa e dependerá do que for pedido por Janot. A PGR informou que ele pediu a retirada do sigilo de parte do material "considerando a necessidade de promover transparência e garantir o interesse público". A apuração do Broadcast é de que, naquelas delações que perderem o segredo, não haverá restrição à divulgação de vídeo.
Corte. Em fevereiro, a Segunda Turma do STF, já tendo Fachin relator da Lava Jato, rejeitou um recurso de autoria do delator Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro, e de seus filhos, Daniel Firmeza Machado e Sérgio Firmeza Machado, contra a decisão do ministro Teori Zavascki que levantou o sigilo das delações no ano passado. No voto vencedor, Fachin admitiu a veiculação de áudios, mas não houve menção a vídeo. 

“Em observância às cláusulas dos acordos de colaboração, esta Corte tem atuado na preservação da intimidade dos colaboradores restringindo a publicidade dos documentos pessoais enviados com a manutenção da revogação do sigilo dos termos de depoimento e da integra dos áudios, o que no caso não vislumbra não permite focalizar prejuízo aos agravantes”, disse.

Ala do PMDB tenta minar liderança de Renan

Ala do PMDB tenta minar liderança de Renan
Adversários do senador iniciam movimento para destituí-lo do cargo de líder da bancada na Casa após criticas a Temer
Isadora Peron, Julia Lindner, Igor Gadelha e Erich Decat ,
O Estado de S.Paulo

08 Abril 2017 | 05h00

BRASÍLIA - A ala adversária ao senador Renan Calheiros (PMDB-AL) vai dar início a um movimento para enfraquecer o peemedebista e tentar destituí-lo do cargo de líder da bancada no Senado. A articulação conta com o apoio velado do presidente da Casa, Eunício Oliveira (PMDB-CE), e de senadores próximos a ele, como Raimundo Lira (PB) e Garibaldi Alves (RN).
Foto: Dida Sampaio/Estadão

O senador Renan Calheiros durante sessão no plenário do Senado em Brasilia
Os parlamentares que estão descontentes com Renan lembram que basta a assinatura de 12 dos 22 senadores para determinar o afastamento do peemedebista. Afirmam que um líder de bancada não tem mandato fixo e que essa figura pode ser substituída a qualquer momento, especialmente se não representar mais o posicionamento da maioria dos liderados. 
A relação entre o senador alagoano e parte da bancada começou a estremecer com as críticas que ele tem feito ao presidente Michel Temer e teve seu ápice com a decisão de Renan de retirar a indicação da senadora Rose de Freitas (PMDB-ES) à presidência da Comissão Mista de Orçamento (CMO). 
A peemedebista confrontou Renan mais de uma vez esta semana para que ele não usasse a visibilidade que tem como de líder do PMDB para defender posições pessoais. A crítica é que o peemedebista está se posicionando contra a reforma da Previdência e outros temas que interessam ao governo para garantir a sua reeleição – e a de seu herdeiro político, o governador Renan Filho (PMDB)– em Alagoas.
A ala adversária ao alagoano vai tentar ensaiar um primeiro movimento contra o peemedebista já na próxima semana. A ideia é que, com o aval de Eunício, a CMO faça na terça-feira a eleição do seu presidente e escolha um nome para presidir o colegiado independentemente da indicação do líder do PMDB. 
Líder do governo no Congresso, o deputado André Moura (PSC-SE) defende que a comissão não poder ficar paralisada em razão de um “capricho” de Renan. “Convocamos a CMO para terça-feira às 14h30. Vamos esperar o senador Renan indicar os membros, mas se ele não o fizer, vamos sentar para ver o que vamos fazer. O que não posso ficar é sem a CMO sem funcionar”, afirmou. 
Na avaliação do grupo que articula a saída de Renan, hoje os nomes que apoiam a permanência dele no cargo são minoria e se restringiriam aos senadores Roberto Requião (PR), Kátia Abreu (TO), Eduardo Braga (AM), Marta Suplicy (SP), Edson Lobão (MA) e Hélio José (DF).
Aliados de Renan, porém, defendem que ele continua forte na bancada. Já no Palácio do Planalto, a ordem é não partir para o enfrentamento direto. Senadores ligados a Temer, porém, afirmam que esse cenário poderá ser revisto se Renan continuar criticando o presidente e, principalmente, conseguir atrapalhar alguma votação importante para o governo.

Em nota, o presidente do Senado negou "qualquer intromissão em assuntos da bancada do PMDB no Senado". Segundo Eunício, como ex-líder da mesma bancada, ele "sabe exatamente que os assuntos devem ser tratados em reuniões internas entre seus integrantes". Ele também reiterou que os assuntos relacionados a Renan "devem ser tratados pelo governo, pela Casa Civil e pelo líder do governo no Senado e presidente do PMDB, senador Romero Jucá (RR)". Os senadores  Raimundo Lira e Garibaldi Alves também negam que haja qualquer articulação com o objetivo de destituir Renan do posto.

Caixa 2 é pior que corrupção para enriquecimento ilícito, diz Sérgio Moro

Caixa 2 é pior que corrupção para enriquecimento ilícito, diz Sérgio Moro

Juiz criticou o Congresso em palestra nos Estados Unidos
Claudia Trevisan, enviada especial a Boston, EUA ,
O Estado de S. Paulo
08 Abril 2017 | 19h49

A prática de corrupção para caixa 2 eleitoral é pior que a corrupção para o enriquecimento ilícito, disse neste sábado o juiz Sérgio Moro, responsável pelo julgamento da operação Lava Jato em primeira instância. “Se eu peguei essa propina e coloquei em uma conta na Suíça, isso é um crime, mas esse dinheiro está lá, não está mais fazendo mal a ninguém naquele momento”, afirmou. “Agora, se eu utilizo para ganhar uma eleição, para trapacear uma eleição, isso para mim é terrível.”
Foto: David Fernandez/EFE

O juiz Sérgio Moro, em palestra durante a semana em Buenos Aires
Em palestra na universidade Harvard, o magistrado criticou o Congresso pela não aprovação das propostas do Ministério Público de combate à corrupção, disse que o projeto de abuso de autoridade ameaça a independência de juízes e se colocou contra a proposta de anistia ao caixa 2.
Aplaudido de pé ao entrar no auditório, Moro disse ter ficado chocado no julgamento de processos com os argumentos dos que tentavam diferenciar a corrupção para benefício pessoal e para financiamento de eleições. “Temos que falar a verdade, a Caixa 2 nas eleições é trapaça, é um crime contra a democracia”, afirmou no evento Brazil Conference at Harvard & MIT, promovido por estudantes brasileiros das duas instituições.” Eu não estou me referindo a nenhuma campanha eleitoral específica, estou falando em geral”, ressaltou.
Moro falou no mesmo auditório que havia sido ocupado pela ex-presidente Dilma Rousseff poucas horas antes, mas disse em entrevista não ter se encontrado com a petista.



Fiscal da prefeitura de SP é condenado a 10 anos de prisão por Máfia do ISS


Fiscal da prefeitura de SP é condenado a 10 anos de prisão por Máfia do ISS

Leia mais: Extra



Tiago Dantas - O Globo


SÃO PAULO - Quatro anos após a revelação do escândalo da Máfia do ISS, a Justiça de São Paulo concedeu a primeira sentença do caso nesta semana. Na quarta-feira, cinco pessoas foram condenadas por lavagem de dinheiro a penas que variam de seis a dez anos de prisão. As punições mais altas foram dadas ao ex-subsecretário da Receita Municipal Ronílson Bezerra Rodrigues e ao empresário Marco Aurélio Garcia, irmão do ex-deputado e atual secretário de Habitação do estado de São Paulo, Rodrigo Garcia (DEM).
Por meio do esquema, fiscais da prefeitura cobravam propina de construtoras em troca da aceleração do trâmite para obtenção de certificados de quitação de Impostos sobre Serviços (ISS), documento necessário para a expedição do “habite-se”. Devido à corrupção dos auditores, a prefeitura de São Paulo deixou de receber cerca de R$ 500 milhões em impostos, principalmente empreiteiras que fizeram empreendimentos de alto padrão na cidade.
A investigação, concluída em 2013, foi feita em conjunto pela Controladoria-Geral do Município (CGM), criada naquele ano, e pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão aos Delitos Econômicos (Gedec) do Ministério Público (MP).
Na ação julgada esta semana, Ronilson foi acusado de executar 36 operações de lavagem de dinheiro utilizando empresas de fachada para esconder o destino de R$ 3 milhões. Em uma das operações, o ex-subsecretário da Receita comprou uma Mercedes-Benz S500 ano 2006 utilizando uma empresa de Marco Aurélio. O valor do veículo, avaliado em R$ 150 mil, era incompatível com o salário de funcionário público, segundo a investigação.
Ao fundamentar sua decisão, o juiz Carlos Alberto Correa de Almeida Oliveira, da 25ª Vara Criminal, citou o depoimento de uma testemunha sigilosa, que afirmou que Ronilson “criou um sistema de corrupção em que todos ganhavam, talvez seja essa a razão da sua longevidade em cargos de destaques junto à administração municipal de São Paulo, independentemente de partidos políticos e de prefeitos eleitos.”
Também foram condenados pela Justiça os ex-auditores municipais Eduardo Horle Barcellos e Fábio Camargo Remesso, ambos a 6 anos de prisão. O contador Rodrigo Camargo Remesso pegou 8 anos e 4 meses de prisão. A mulher de Ronílson, Cassiana Manhães Alves, foi inocentada porque, no entendimento da Justiça, faltaram provas de sua participação nos crimes.
Como fizeram delação premiada, Eduardo e Rodrigo poderão começar a cumprir pena em regime aberto. No entendimento do juiz Almeira Oliveira, porém, a colaboração dos dois não foi totalmente efetiva e alguns fatos deixaram de ser relatados. Por isso, ele não concordou com a redução das penas.

OUTROS LADOS
O advogado Márcio Roberto Sayeg, que atende Ronílson, afirmou que vai recorrer da decisão judicial. Ele frisou que Cassiana, também sua cliente, foi absolvida. À Justiça, o fiscal afirmou que recebeu o dinheiro apontado como irregular pelo MP por meio da prestação de serviços na área fiscal. Ele negou que tenha comprado notas fiscais falsas para a lavagem de dinheiro.
Responsável pela defesa de Marco Aurélio, o advogado Rogério Cury disse que ainda não informado oficialmente sobre a decisão judicial. Ele afirma ter ficado surpreso com a notícia da condenação de seu cliente e que, assim que for intimado, pretende recorrer da intimação:
— A prova produzida no processo foi clara da inocência dele.
O advogado Gustavo Bardaró, que defende Eduardo, afirmou que pretende recorrer da decisão. Segundo ele, ao fazer a delação premiada, seu cliente confessou a prática de crimes de corrupção por meio dos quais recebeu R$ 2 milhões, que foram gastos na compra de imóveis e de um barco. Eduardo, porém, não admite ter feito lavagem de dinheiro, motivo da condenação desta semana.
— Não houve nenhuma tentativa de ocultar patrimônio. O Eduardo comprou um apartamento por R$ 400 mil e pagou com um cheque de uma conta em seu nome. Ele fez uma delação para admitir todos os seus crimes. Não confessou a lavagem de dinheiro porque não a fez.
O GLOBO não conseguiu contato com os advogados que defendem Fábio e Rodrigo Remesso. Em depoimento à Justiça ambos negaram a prática de crimes de lavagem de dinheiro.


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