quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021

As falácias de Doria

 

Recebi num grupo de WhatsApp esse texto e repasso aqui, pois o autor dissecou uma a uma as várias falácias do governador João Doria ao ligar para a rádio Jovem Pan e "exigir" o seu "direito de resposta" após uma crítica minha sobre seus ataques à prefeita de Bauru:

Doria ligou para a rádio Jovem Pan e "exigiu" direito de resposta para uma análise política de um comentarista da rádio que o criticou. Imaginem se o Presidente resolvesse fazer isso...

Porém, o que mais impressionou no episódio é que Doria parecia um adolescente militante de Centro Acadêmico, disparando uma série de chavões e acusações sem provas contra Rodrigo Constantino. Curiosamente, Doria contratou (pela TV Cultura), há poucos meses, Vera Magalhães, que faz o mesmo tipo de críticas só que ao Presidente Bolsonaro. Então, o que ela faz é jornalismo de verdade e o que Rodrigo faz não??

Mas vamos às falácias apresentadas por Doria na sua fala destemperada.

1 - Todo o conflito começou após uma entrevista com a Prefeita de Bauru, que não aceitou a implantação da Fase Vermelha no seu município. Doria a havia chamado de "vassala de Bolsonaro", sendo que a prefeita explicou que as medidas tomadas no município foram discutidas e planejadas por uma equipe, inclusive de infectologistas da cidade.

2 - Doria começou dizendo que "o mesmo tempo que Rodrigo Constantino nos fez críticas, nós usaremos para fazer a nossa defesa". Esse critério serve para todos ou só para o governador da calça apertada? Bolsonaro pode exigir isso também nas emissoras de rádio e TV?

3 - Doria inicia falando em "defesa da vida e da ciência". Todos os locais que fizeram lockdown rigoroso tiveram um número de mortos elevado. Isso é científico. Recentemente, um Professor da UFPE publicou um trabalho mostrando que quanto mais rígido o lockdown, maior o número de contaminados e mortes. ISSO é ciência!! A própria OMS já mudou sua posição sobre o lockdown e Doria insiste nisso porque voltar atrás seria admitir que Bolsonaro sempre teve razão.

4 - Passou a chamar Constantino de "negacionista, ideólogo de Bolsonaro, defensor de homicida". São três acusações diferentes e todas graves. Negacionista, Rodrigo nunca foi. Nunca negou a importância e gravidade da doença, só criticou as medidas tomadas por alguns governadores e prefeitos. "Ideólogo de Bolsonaro". Esse título já foi de Olavo de Carvalho e, agora, Doria o transfere para Constantino. Na verdade, talvez Bolsonaro nem conheça Rodrigo pessoalmente. Como ele poderia ser o ideólogo do Presidente? Já a acusação de defensor de homicida é uma insinuação de que Bolsonaro seria o homicida. Matou quem? Todos os mortos da pandemia? Mas a maior taxa de mortes é de São Paulo. O maior homicida então seria Doria.

5 - "O mesmo Rodrigo Constantino que defendeu um estupro nas redes sociais". Aí, Doria ou foi muito mal assessorado ou muito canalha. O cancelamento de Rodrigo por suas declarações no caso Mariana foi um exemplo terrível de censura, a mesma censura que Doria parece fazer contra críticas à sua atuação. Pior ainda!! A Justiça NÃO CONSIDEROU que houve estupro (muito menos culposo, como foi divulgado pelo The Intercept). Portanto Doria não só está acusando Rodrigo injustamente como está afirmando que a Justiça errou e se tratava de um estupro.

6 - "São Paulo defende a Ciência, a saúde e a vida". Onde está a explicação científica para fechamento de avenidas, implantação de rodízio, o que levou a um aumento da aglomeração? E onde está a defesa da saúde e da vida se os hospitais de campanha foram desmontados e o número de UTIs nos hospitais públicos não só não aumentou como reduziu. Lembrando que a segunda onda já estava ocorrendo na Europa e Doria não fez absolutamente nada para se preparar para a sua chegada a São Paulo.

7 - "Você e Bolsonaro sempre disseram que era uma gripezinha". Aí vemos qual a real intenção de Doria ao pedir o direito de resposta. O problema dele não era com Constantino, mas ele queria usar o tempo e a audiência da Jovem Pan para fazer campanha política. Por isso ele juntou Bolsonaro e Constantino numa declação única. Rodrigo nunca chamou de gripezinha. Aliás, Bolsonaro nunca chamou a doença de gripezinha (quem fez isso foi Dráuzio Varella). Bolsonaro disse que, se ELE pegasse a doença, por certo seria como uma gripezinha, dado o seu histórico de atleta anterior. Aliás, ele pegou e foi realmente uma gripezinha...

8 - "Hoje o Brasil contabiliza 225 mil mortos por uma pandemia que poderia ter seu efeito minimizado". Então, Doria está chamando a Angela Merkel de assassina? E o Boris Johnson também? Se existe uma forma de minimizar essas mortes, por que Doria não aplicou isso em São Paulo. Muito pelo contrário, São Paulo é um estado que, se fosse um país, estaria entre os com o maior número de mortos tanto absoluto quanto percentual.

9 - "Pseudo-jornalistas como você, defendendo o terraplanismo". Aí Doria pegou pesado. Primeiro que o STF considerou que não é necessário diploma de jornalismo, portanto Rodrigo é realmente um jornalista. Segundo que nem Rodrigo nem Bolsonaro nunca defenderam terraplanismo. Doria pode alegar que foi uma figura de retória, mas na verdade é uma falácia do espantalho. Eu questiono as medidas para combate à pandemia e sou acusado de acreditar na terra plana...

10 - "Foi aqui em São Paulo que viabilizamos a vacina". Doria finge ignorar que ambas as vacinas, a do Butantan e a da Fiocruz foram aprovadas no mesmo dia. A segunda teve o apoio do Governo Federal. Se ele tem algum mérito por ter conseguido a vacina chinesa, Bolsonaro teria igual mérito por ter obtido a vacina de Oxford.

11 - "Vocês chamaram de vacina da China". E de onde ela é? A prova de que ela vem realmente da China e não do Butantan (ainda) é que elas chegaram já embaladas (não foram insumos) e Doria tirou até foto segurando uma caixinha na frente do avião.

12 - "Foi essa vacina que foi aprovada e qualificada pela Anvisa". Na verdade, qualquer pessoa que tenha assistido à cerimônia da Anvisa notou que nenhuma das duas vacinas nunca teria sido aprovada se não fosse a urgência da situação. Os dados foram insuficientes para ambas.

13 - "A vacina que cura e eficaz". Aí Doria perdeu totalmente a vergonha. Primeiro, que vacina não cura nada, previne. Segundo que a sua vacina tem uma eficácia baixa, 50,4%. Portanto, nem prevenir em todo mundo ela vai. E ainda por cima, os trabalhos mostraram que pessoas vacinadas continuam transmitindo o vírus. Então, não é tudo isso...

14 - "A vacina que está salvando milhões de brasileiros da linha de frente". Esse discurso vai começar a ruir quando profissionais da saúde já vacinados começarem a pegar a doença. Vamos só aguardar.

15 - "Respeite os profissionais de saúde, respeite a vida e respeite a ciência". Poucas pessoas entrevistaram mais médicos nos últimos meses que Rodrigo Constantino. Ele deu voz a diversos profissionais que estavam sendo boicotados pela mídia. Quanto a respeitar a ciência, novamente Doria usa o termo com um caráter religioso, como se a ciência não fosse um questionar constante e sim uma verdade imutável.

16 - "Respeite as famílias dos 220 mil mortos". Quem primeiro deveria respeitá-los deveria ser Doria que, além de ter o mais alto índice de mortos do país, ainda aumentou impostos e cortou benefícios de deficientes e idosos.

17 - "Já aviso que se Constantino vier para a tréplica, eu quero o mesmo tempo de direito de resposta". Novamente, Doria revela sua face autoritária e anti-democrática. Ele pode ligar para uma rádio e fazer uma série de acusações a um jornalista, mas quer que ele fique quietinho e não o responda.

Rodrigo iniciou a sua resposta afirmando que apresentou fatos e dados, enquanto Doria só se limitou a tentar monopolizar as virtudes e a ciência. A partir daí, Doria passou a interromper, de forma grosseira, toda a resposta de Constantino, transformando a segunda parte numa bagunça, inclusive elevando a voz (nem sabia que ele conseguia modular aquela voz monótona dele) para que não se conseguisse ouvir Rodrigo.

Foi uma queda total de máscara. Doria esqueceu aquele personagem friamente calculado para se revelar como realmente é: um tirano.

Foto de perfil de Rodrigo Constantino
Foto de perfil de Rodrigo Constantino

terça-feira, 2 de fevereiro de 2021

Lira assume, anula bloco de Rodrigo Maia e muda divisão de cargos da Câmara

Lira assume, anula bloco de Rodrigo Maia e muda divisão de cargos da Câmara


/Poder360 - 1º.fev.2021

O novo presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), em sua 1ª decisão no cargo indeferiu o bloco aglutinado por Baleia Rossi (MDB-SP), que daria a partidos aliados do emedebista 4 cargos na Mesa Diretora da Câmara.

Técnicos da Casa ouvidos pelo Poder360 disseram que, na prática, a decisão faz com que o bloco de Lira dispute os cargos da Mesa com os demais partidos isoladamente. Isso dá força ao grupo político do novo presidente da Casa.

Haverá alteração na partilha de cargos, na qual o PT, por exemplo, havia conseguido a 1ª Secretaria. Lira passou a decisão para esta 3ª feira, quando será realizada a eleição para os demais cargos da Mesa Diretora.

A decisão de Lira remonta a um caso da tarde desta 2ª. Seu grupo político reclamou que o PT havia se registrado no bloco de Baleia Rossi depois do prazo estipulado. Horas depois, Lira e seus aliados disseram que aceitavam a validação do bloco.

O grupo foi validado por ação de Rodrigo Maia (DEM-RJ), que era presidente da Casa naquele momento. Maia foi o principal articulador da campanha de Baleia Rossi, derrotado por Lira no 1º turno da eleição.

O novo presidente da Casa tomou uma decisão que tem outros 4 tópicos lidos no plenário. São os seguintes:

  • Proporcionalidade – determinar que a Secretaria Geral da Mesa calcule novamente a divisão de cargos na Mesa, considerando a proporcionalidade sem o bloco de Baleia;
  • Escolha de cargos já feita – desconsiderar a partilha de cargos feita nesta 2ª feira com base nos blocos registrados e marcar nova escolha para às 11h de 3ª feira (2.fev.2021);
  • Candidaturas para a Mesa – desconsiderar as candidaturas a esses cargos, e colocar novo prazo de registro de candidatura com limite às 13h de 3ª feira;
  • Novos prazos – convocar para 3ª feira às 16h a eleição desses cargos, com novos limites para registros.

A presidência da Câmara é escolhida por eleição direta entre deputados. Os outros 10 cargos da Mesa, porém, são definidos por eleições apenas dentro dos blocos aos quais couber os cargos. Quanto mais deputados eleitos tiver o grupo, mais cargos tem e maior a prioridade para escolher os postos.

Depois de divididos os cargos entre os blocos, os partidos de cada grupo chegam a acordos políticos para decidir quais siglas ficarão com os cargos que couberem ao bloco.

A Mesa da Câmara calculará o destino dos cargos. Se o bloco de Arthur Lira for o único, conseguirá postos melhores que havia conseguido na 2ª feira.

Quando Lira tomou a decisão já havia candidaturas para os demais cargos da Mesa e a eleição inclusive tinha sido realizada. A posse do presidente da Câmara, porém, é antes da contagem dos votos para esses postos. Por isso Lira pode realizar a manobra.

Os partidos PT, MDB, PSB, PSDB, PDT, PC do B, Cidadania, PV e Rede anunciaram –já na madrugada desta 3ª feira (2.fev.2021)– que vão recorrer ao STF (Supremo Tribunal Federal) para derrubar o ato de Lira, que consideram “autoritário“.

Assista ao discurso do pepista depois da vitória e a 1ª decisão no comando da Casa (24min14s):

A Mesa Diretora tem 7 cargos titulares (contando a presidência) e 4 suplentes. Esses postos são cobiçados porque decisões importantes são tomadas pelo colegiado. Foi a Mesa, por exemplo, que fixou em 1º de fevereiro o dia da eleição.

Além disso, quem tem cargo no colegiado pode nomear mais assessores que deputados em gabinetes normais. Leia a seguir as principais atribuições de cada cargo titular da Mesa:

  • Presidência – decide quais projetos os deputados vão votar no plenário e quando. Também escolhe os relatores das propostas. Entra na linha de substituição do presidente da República, atrás do vice. Pode dar início a processos de impeachment contra o chefe do Executivo. Integra os conselhos de Defesa Nacional e da República, que deliberam sobre intervenção federal, estado de defesa e estado de sítio;
  • 1ª vice-presidência – substitui o presidente na condução de sessões e faz pareceres sobre requerimentos de informações e projetos de resolução;
  • 2ª vice-presidência – substitui o presidente e examina ressarcimento de despesas médicas de deputados. Também é responsável pelas relações com os Legislativos de Estados e municípios;
  • 1ª Secretaria – responsável pelos serviços administrativos e de pessoal da Casa. Por exemplo: dá posse ao secretário-geral da Mesa e ao diretor-geral da Câmara e credencia assessores e jornalistas, além de prestadores de serviços. Também remete requerimentos de informação a ministros;
  • 2ª Secretaria – trata das relações internacionais da Câmara, incluindo emissão de passaportes para deputados;
  • 3ª Secretaria – controla o fornecimento de passagens aéreas aos deputados, examina pedidos de licença e justificativas de faltas;
  • 4ª Secretaria – distribui os apartamentos funcionais e residências para deputados, encaminha à diretoria-geral concessões de auxílio moradia.
Fonte: Poder 360

O sobe e desce da eleição no Congresso: veja quem saiu fortalecido da disputa na Câmara e do Senado

O sobe e desce da eleição no Congresso: veja quem saiu fortalecido da disputa na Câmara e do Senado

Arthur Lira, Jair Bolsonaro, Rodrigo Maia e João Doria: figuras políticas sob impacto da eleição no Congresso Foto: Agência O Globo
Arthur Lira, Jair Bolsonaro, Rodrigo Maia e João Doria: figuras políticas sob impacto da eleição no Congresso Foto: Agência O Globo

RIO – A eleição de Arthur Lira (PP-AL) para a presidência da Câmara e de Rodrigo Pacheco (DEM-MG) para o comando do Senado representa, a partir desta terça-feira, uma mudança no equilíbrio das forças políticas envolvidas na disputa de poder no Congresso. Além dos dois candidatos vitoriosos, o cenário é positivo para o presidente Jair Bolsonaro e também para Davi Alcolumbre (DEM-AP), que foram vitoriosos em suas indicações. O centrão, fiador de ambas as candidaturas eleitas, também é grande beneficiado pelo resultado. Na contramão, Rodrigo Maia (DEM-RJ) e o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), vivem dilemas partidários após terem falhado na tentativa de emplacar Baleia Rossi (MDB-SP) como antídoto ao bolsonarismo. Também sofreram reveses a oposição e os defensores de uma "nova política" no Legislativo.

Confira abaixo quem sobe e quem desce após a eleição no Congresso:

Sobe

O novo presidente da Câmara chegou à eleição não só com o apoio do Palácio do Planalto, publicamente assumido por Bolsonaro. Lira também foi carregado por partidos do centrão, do qual faz parte, e por filiados de outras siglas, incluindo as que compuseram o bloco de Baleia Rossi.

Conhecido como um "cumpridor de acordos", o deputado, ao lado de aliados, comprovou a habilidade para negociar votos, até mesmo em causa própria. Ao inviabilizar o apoio do DEM de Rodrigo Maia a Baleia Rossi, acabou esvaziando os últimos momentos do antecessor no cargo e abriu caminho para as conquistas do próprio mandato. Ele fica no cargo até fevereiro de 2023.

O deputado Arthur Lira (PP-AL) concorre à presidência da Câmara dos Deputados com apoio de Bolsonaro Foto: Agência O Globo
O deputado Arthur Lira (PP-AL) concorre à presidência da Câmara dos Deputados com apoio de Bolsonaro Foto: Agência O Globo

Rodrigo Pacheco

Unindo o apoio do bolsonarismo e do PT, forças opostas do espectro político, o recém-eleito presidente do Senado criou uma coalização inexistente na vitória de Acolumbre, seu antecessor, há dois anos. Pacheco, que está no primeiro mandato como senador, superou por ampla diferença a adversária, Simone Tebet (MDB-MS), e, antes disso, já havia articulado, junto com Alcolumbre, um acordo que custou à senadora o apoio do próprio partido. Assim como Lira, ele também permanece no cargo até fevereiro de 2023.

PA Brasília (BSB) 01/02/2021 Eleições para Presidencia do Senado Federal, na foto o Senador e candidato a presidencia da casa Rodrigo Pacheco Foto Pablo JAcob / Agencia O GLobo Foto: Pablo Jacob / Agência O Globo
PA Brasília (BSB) 01/02/2021 Eleições para Presidencia do Senado Federal, na foto o Senador e candidato a presidencia da casa Rodrigo Pacheco Foto Pablo JAcob / Agencia O GLobo Foto: Pablo Jacob / Agência O Globo

Jair Bolsonaro

Apesar das reclamações de Maia e Baleia pela interferência na eleição, Bolsonaro levou até o fim a estratégia de influenciar votos de parlamentares e pode colher frutos dessa movimentação adiante. O presidente conta com os aliados no Congresso, principalmente Lira, para evitar processos de impeachment e, ao mesmo tempo, emplacar pautas governistas que eram evitadas por Maia. Entre elas, as de costumes e mais conservadoras. A Bolsonaro, também pertence o triunfo sobre as intenções de Maia, seu desafeto.

O presidente Jair Bolsonaro participa de cerimônia no Palácio do Planalto Foto: Marcos Corrêa/Presidência/29-01-2021
O presidente Jair Bolsonaro participa de cerimônia no Palácio do Planalto Foto: Marcos Corrêa/Presidência/29-01-2021

Davi Alcolumbre

De saída do comando do Senado, Alcolumbre emplacou Pacheco como sucessor após tê-lo apresentado a Bolsonaro e participado ativamente dos acordos que garantiram a vitória na eleição. Ainda que possa não conquistar um ministério no governo federal, conforme o plano que relatou a aliados antes de o presidente negar publicamente, Alcolumbre deixa o cargo reconhecido como um parlamentar capaz de conciliar interesses, como fez com os do governo e da oposição, e pode manter atuação expressiva na Casa. Colegas cogitam que ele pode presidir colegiados como a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), uma das mais relevantes.

PA Brasília (BSB) 01/09/2020 Lançamento do Programa Norte Conectado no Palácio do Planalto com o presença do Presidente Jair Bolsonaro, do presidente do Senado David Alcolumbre, presidente do STF Dias Toffoli, do Ministro da Comunicação Fabio Faria, Ministro da Casa Civil Braga Netto e o Ministro da Justiça André Mendonça Foto Pablo Jacob / Agência O Globo Foto: Pablo Jacob / Agência O Globo
PA Brasília (BSB) 01/09/2020 Lançamento do Programa Norte Conectado no Palácio do Planalto com o presença do Presidente Jair Bolsonaro, do presidente do Senado David Alcolumbre, presidente do STF Dias Toffoli, do Ministro da Comunicação Fabio Faria, Ministro da Casa Civil Braga Netto e o Ministro da Justiça André Mendonça Foto Pablo Jacob / Agência O Globo Foto: Pablo Jacob / Agência O Globo

Centrão

Na esteira de Lira e Pacheco, partidos do Centrão encerraram a eleição em alta. Siglas como PP, PL, Republicanos, Solidariedade, PSD, PSC, Avante, Patriota e PTB estiveram formalmente apoiando Lira na Câmara — ele é líder do grupo — e parte deles, com representação no Senado, também esteve com Pacheco. Ao votar de acordo com os próprios interesses e ainda dialogar com as intenções do Planalto, parlamentares do grupo seguirão com capital político para barganhar em votação relevantes para o governo e serão beneficiados com cargos e emendas nos próximos meses, fruto da negociação nos bastidores da eleição. A reforma ministerial que se aproxima também deve garantir o comando de pastas relevantes, como a Cidadania.

Plenário da Câmara dos Deputados, em Brasília Foto: Michel Jesus / Câmara dos Deputados
Plenário da Câmara dos Deputados, em Brasília Foto: Michel Jesus / Câmara dos Deputados

Sem ter conseguido aval do Supremo Tribunal Federal (STF) para se reeleger e com dificuldade para angariar apoios à candidatura de Baleia Rossi, Maia deixou o comando da Câmara após dias de conflito público com figuras do governo e uma crise com o DEM, seu próprio partido.

O ex-presidente da Câmara chegou a discutir ao telefone com o ministro-chefe da Secretaria de Governo, general Luiz Eduardo Ramos, responsável pela articulação política de Bolsonaro. No momento mais crítico, viu Baleia perder o apoio do DEM na véspera da eleição e chegou a ameaçar um rompimento com a sigla numa celeuma que segue sem solução e pode afetar outros quadros. A derrota também pode prejudicar a articulação de Maia para uma frente anti- Bolsonaro em 2022.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia 05/02/2019 Foto: Jorge William / Agência O Globo
O presidente da Câmara, Rodrigo Maia 05/02/2019 Foto: Jorge William / Agência O Globo

João Doria

Embora tenha se esforçado para manter o PSDB no bloco de apoio a Baleia, a possibilidade de que uma reviravolta acontecesse, na última hora, demonstrou que o governador de São Paulo ainda enfrenta resistência em suas tentativas de influenciar nacionalmente as posições tucanas. Episódios anteriores já tinham demonstrado essa dificuldade: foi o caso, por exemplo, da tentativa frustrada do grupo de Doria de expulsar o deputado Aécio Neves do partido, em 2019.

Além da controvérsia com correligionários, o desfecho da eleição no Congresso também leva o chefe do Executivo paulista a uma derrota diante de Bolsonaro, a quem pode acabar enfrentando em 2022. O episódio modifica a vantagem de narrativa sobre a qual Doria vinha surfando desde meados de janeiro, após o início da vacinação com a CoronaVac, utilizada como seu trunfo político.

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), durante anúncio do inicio da vacinação em São Paulo (17/01/2021) Foto: Edilson Dantas / Agência O Globo
O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), durante anúncio do inicio da vacinação em São Paulo (17/01/2021) Foto: Edilson Dantas / Agência O Globo

Impeachment

Apoiada pela oposição e ventilada pelo próprio Maia em entrevistas recentes, a tese de que Bolsonaro pode sofrer impeachment nos próximos meses saiu enfraquecida diante dos novos comandos da Câmara e do Senado. Ainda que Maia tenha ameaçado abrir um processo de impedimento após se irritar com o avanço de Lira sobre o DEM, o parlamentar não levou a ideia até o fim. Aliado do presidente, Lira não possui compromisso com a ideia e não aglutinou, em sua base de apoio, partidos que a apoiem.

Protesto contra Bolsonaro em São Paulo Foto: Amanda Perobelli/Reuters
Protesto contra Bolsonaro em São Paulo Foto: Amanda Perobelli/Reuters

Oposição

Partidos que se opõem a Bolsonaro e pretendem combatê-lo nas urnas em 2022 sofreram um revés ao tentar se unir em torno de Baleia e não conseguirem emplacar a candidatura do emedebista contra Lira. Na Câmara, tiveram dificuldade para se unir, com o PSOL levando até o fim a aposta numa candidatura própria. No Senado, aderiram a candidatura apoiada pelo próprio Bolsonaro. Houve também dificuldade de engajar outros atores sociais, externos à política, para a disputa no Congresso. Nas redes sociais, por exemplo, o debate foi dominado por apoiadores de Bolsonaro e Lira, com participação tímida de usuários favoráveis a Baleia.

Reunião de líderes das bancadas de PT, PDT, PSB, PCdoB e PSOL em Brasília Foto: Divulgação
Reunião de líderes das bancadas de PT, PDT, PSB, PCdoB e PSOL em Brasília Foto: Divulgação

Nova política

As escolhas de deputados e senadores também enfraqueceram movimentos cuja bandeira é a renovação política. Com a ascensão do Centrão nas duas casas do Legislativo, pautas relevantes para esse segmento devem ser deixadas de lado. É o caso da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) favorável à prisão em segunda instância, que está fora da agenda de compromissos dos dois eleitos. O grupo "Muda Senado", que em 2019 conseguiu eleger Alcolumbre, não repetiu o feito com Simone Tebet após ter se dissociado do agora ex-presidente do Senado.

A senadora Simone Tebet (MDB-MS) é entusiasta de pautas associadas à operação Lava Jato, como a possibilidade de prisão após condenação em segunda instância Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado
A senadora Simone Tebet (MDB-MS) é entusiasta de pautas associadas à operação Lava Jato, como a possibilidade de prisão após condenação em segunda instância Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado
Fonte: O Globo

terça-feira, 12 de janeiro de 2021

Youtubers do Gabinete do Ódio faturavam mais de R$ 100 mil do Planalto

 

O inquérito dos atos antidemocráticos cometidos pelo “Gabinete do Ódio”, grupo de youtubers que atacam a democracia em prol do presidente Jair Bolsonaro, mostra que a ligação entre o governo Bolsonaro e os canais é bastante próxima e até rendia lucro.

O inquérito diz, basicamente, que os youtubers ganhavam mais de R$ 100 mil por mês para promover vídeos a favor de Bolsonaro contra o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Congresso. Obtido pelo jornal O Estado de S.Paulo, o documento aponta que assessor especial da Presidência da República, Tércio Arnaud Tomaz, e o ajudante de ordens Coronel Mauro Cesar Barbosa Cid, são os interlocutores do blogueiro bolsonarista Allan dos Santos, dono do canal Terça Livre.

Tércio é apontado como o elo entre o governo e os demais youtubers. O inquérito cita os seguintes antidemocratas:

Fernando Lisboa, do Vlog do Lisboa;

Emerson Teixeira, do canal “Professor Opressor”;

Camila Abdo, do Direito aos Fatos; e

Marcelo Frazão, do TV Direita News.

A extremista Sara Giromini também é citada, mas o canal dela foi excluído do YouTube por violar normas. O jornalista Oswaldo Eustáquio consta no documento. Embora o canal dele não esteja disponível para ser acessado do Brasil, o perfil segue ativo para outros países e tem 9,1 milhões de inscritos.

O grupo antidemocrático foi descoberto em setembro de 2019, e as investigações, conduzidas pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, ainda não terminaram. Até agora, foram ouvidas mais de 30 pessoas. Entre elas, estão os filhos de Bolsonaro, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ). Apontado como comandante do Gabinete do Ódio, Carlos é citado 43 vezes no inquérito.

No período dos protestos antidemocráticos, alguns com a presença de Bolsonaro, vídeos com títulos apelativos pipocaram nas redes sociais. Nessa lista estavam “Bolsonaro rebate conspiradores”, “Bolsonaro dá ultimato para sabotadores e intromissões”, “Bolsonaro invade STF”, “A Força de Bolsonaro é maior que Congresso e STF”, “Bolsonaro e Forças Armadas fechados em um acordo para o Brasil” e “STF decidiu eliminar Bolsonaro”, como registrou a Procuradoria-Geral da República (PGR).

“Com o objetivo de lucrar, estes canais, que alcançam um universo de milhões de pessoas, potencializam ao máximo a retórica da distinção amigo-inimigo, dando impulso, assim, a insurgências que acabam efetivamente se materializando na vida real, e alimentando novamente toda a cadeia de mensagens e obtenção de recursos financeiros”, disse o vice-procurador-geral da República, Humberto Jacques, em manifestação ao STF.

Nos interrogatórios, a Polícia Federal tem questionado se os donos de canais são “laranjas” de terceiros. Foi o que ocorreu no depoimento prestado por Anderson Azevedo Rossi. O criador do canal Foco do Brasil respondeu que não repassa dinheiro recebido de monetização do YouTube a outros. Rossi afirmou, porém, que recebe ajuda de Tércio Tomaz para abastecer a sua página.

Por meio do WhatsApp, disse ele, o assessor repassa vídeos de Bolsonaro. Tércio está sempre ao lado do presidente. Filma suas conversas de forma imperceptível e procura flagrar situações que possam constranger quem o incomoda.

Com 2,3 milhões de seguidores no Youtube, Rossi teve uma guinada na carreira desde a ascensão de Bolsonaro. Recebia um salário de R$ 3,5 mil como técnico de informática em sua cidade, Canela, no Rio Grande do Sul. Agora, com os recursos da monetização – a remuneração que o YouTube paga por anúncios publicitários nos canais – faturou com o Foco do Brasil US$ 330.887,08 entre março de 2019 e maio de 2020, o equivalente a R$ 1,7 milhão na cotação atual de câmbio. É um valor aproximadamente 33 vezes maior do que ganhava na função anterior. Rossi chegou a instalar uma sala física do canal em Brasília.

Em depoimento à PF, Tércio negou dar tratamento diferenciado aos donos de canais no Youtube que orbitam em torno de Bolsonaro. Admitiu, porém, ter participado de um grupo de WhatsApp com Allan dos Santos para discutir questões do governo federal. Allan, por sua vez, disse que recebe R$ 12 mil por mês, na condição de “sócio” do Terça Livre, também obtidos por meio de monetização, segundo depoimento prestado à PF.

Já Fernando Lisboa, do Vlog do Lisboa, fatura de R$ 20 mil a 30 mil por mês. Emerson Teixeira, do canal “Professor Opressor”, informou que tem rendimento mensal de R$ 11 mil. Foco do Brasil, Terça Livre e Vlog do Lisboa veicularam propaganda da reforma da Previdência, paga pela Secretaria de Comunicação (Secom). Exibiram, respectivamente, 57.044, 1.447 e 2.081 inserções publicitárias no YouTube, de acordo com informações enviadas pela Secom à CPMI das Fake News no Congresso, no período de 6 de junho a 13 de julho de 2019.

Com informações do jornal O Estado de S.Paulo

Fonte: Jornal de Brasília

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