domingo, 14 de fevereiro de 2021

Saiba o que muda com a autonomia do Banco Central

 

A autonomia do Banco Central, aprovada pela Câmara nesta 4ª feira (10.fev.2021), serve para reduzir a influência do governo federal sobre a política monetária.

A proposta foi a sanção presidencial. Quando estiver vigorando o presidente e diretores do BC terão mandato. Não poderão ser demitidos livremente. Jair Bolsonaro e Paulo Guedes queriam a aprovação do texto.

O projeto estabelece que a diretoria do BC será composta por 9 integrantes, sendo um deles o presidente da autoridade monetária. A composição não altera a estrutura atual. Também mantém o poder do presidente da República de nomear todos eles.

Os integrantes da diretoria deverão atender aos seguintes pré-requisitos:

  • ser brasileiros idôneos;
  • ter reputação ilibada;
  • ter notória capacidade em assuntos econômico-financeiros ou comprovados conhecimentos que os qualifiquem para a função.

O Senado continuará responsável pela aprovação dos nomeados. Outras medidas que o texto estabelece:

  • começo de mandato – será sempre no 1º dia útil do 3º ano de cada governo;
  • criação de mandatos – o período de permanência do presidente e dos diretores será de 4 anos. Hoje não há prazo definido;
  • possibilidade de recondução – o presidente e os diretores do BC poderão ser reconduzidos só uma vez aos respectivos cargos.

O mandato do presidente do BC terá 4 anos, com início no dia 1º de janeiro do 3º ano do mandato do presidente da República. Os mandatos dos diretores do BC terão duração de 4 anos, observando-se a seguinte escala:

  • 2 diretores terão mandatos com início no dia 1º de março do 1º ano de mandato do presidente da República;
  • 2 diretores terão mandatos com início no dia 1º de janeiro do 2º ano do mandato do presidente da República;
  • 2 diretores terão mandatos com início no dia 1º de janeiro do 3º ano do mandato do presidente da República;
  • e 2 diretores terão mandatos com início no dia 1º de janeiro do 4º ano do mandato do Presidente da República.

O presidente do Banco Central só poderá ser demitido em 4 hipóteses, de acordo com o texto aprovado:

  • a pedido;
  • no caso de enfermidade que incapacite o titular para o exercício do cargo;
  • quando for condenado em decisão transitada em julgado ou proferida por órgão colegiado pela prática de improbidade administrativa ou crime cuja pena acarrete na perda do cargo;
  • quando apresentar comprovado e recorrente desempenho insuficiente para o alcance dos objetivos.

Os ocupantes dos cargos de presidente e diretor não poderão exercer qualquer outra atividade profissional, exceto a de professor. Não poderão manter participação acionária direta ou indireta em instituições financeiras que estejam sob supervisão ou fiscalização do BC.

Depois que o presidente ou diretor sair do BC, não poderá ocupar cargo no setor financeiro antes de 6 meses de sua saída do órgão. O objetivo da quarentena é evitar que o ex-presidente beneficie seu novo empregador com informações às quais teve acesso no BC.

Histórico recente

Operadores do mercado financeiro dizem que o Banco Central sofreu interferências durante o governo Dilma Rousseff, quando a autoridade monetária era presidida por Alexandre Tombini.

Os economistas sinalizavam em 2013 que uma crise econômica e fiscal era iminente. A ex-presidente pressionou o BC para diminuir a Selic. Sob essa pressão, em abril de 2013, a taxa básica estava em 7,25% ao ano.

Depois, houve piora das condições financeiras e, posteriormente, recessão. O governo interrompeu a pressão que segurava os juros. A taxa chegou aos 14,25% ao ano em julho de 2015.

A principal atribuição do Banco Central é controlar a inflação. A ferramenta usada é a taxa de juros paga pelo governo a quem lhe empresta dinheiro, a Selic. Na prática, os bancos não emprestam a consumidores e empresas com taxas abaixo da Selic, atualmente em 2% ao ano. Trata-se do menor patamar da história.

Quando os juros sobem, o crédito fica mais caro e o consumo diminui. Isso reduz a demanda e, consequentemente, segura a alta dos preços.

BC AUTÔNOMO

De acordo com o projeto, o objetivo fundamental do BC é “assegurar a estabilidade de preços”. O texto também estabelece que, sem prejuízo do 1º item, a autoridade monetária tem que “suavizar as flutuações do nível de atividade econômica e fomentar o pleno emprego”.

Caso Roberto Campos Neto seja reconduzido à presidência do BC –como é esperado– ele ficará no cargo até o fim de 2024, no meio do mandato do próximo presidente da República. Poderá ser nomeado mais uma vez por quem estiver no Palácio do Planalto nessa época.

Outros países têm bancos centrais independentes. Na América Latina, o Chile e a Argentina aprovaram a autonomia antes de 2000.

As principais funções são a proteção do poder de compra da população (controle da inflação) e a estabilidade do sistema financeiro. Alguns bancos centrais adotam objetivos mais amplos, como o desenvolvimento econômico e o crescimento do emprego.

Segundo a proposta aprovada, o Banco Central do Brasil terá 4 objetivos, sendo a estabilidade de preços a meta fundamental. Terá também de zelar pela estabilidade e pela eficiência do sistema financeiro, suavizar as flutuações do nível de atividade econômica e fomentar o pleno emprego.

Em novembro de 2020, o presidente do BC, Roberto Campos Neto, demonstrou contrariedade ao trecho sobre o “fomento ao emprego.” Disse que pode possibilitar a governos desenvolvimentistas abrir mão do controle dos preços.

“O Banco Central tem a visão do que o mais importante e o que precisa ser preservado é a meta de inflação. Nós entendemos que no mundo emergente se dá muita força no emprego, onde nem tem ferramentas para atuar nisso. Acaba gerando um equilíbrio ótimo-ruim, porque no final você nem vai ter emprego e nem vai ter inflação controlada e, muito provavelmente, a falta de controle da inflação vai gerar desemprego”, disse Campos Neto em live do Instituto ProPague.

A autoridade monetária deve criar regulamentos para que o fomento ao emprego seja feito sem prejudicar o controle inflacionário.

A Argentina é um exemplo de país que adota um leque maior de objetivos, como a equidade social. Conheça a atuação do Banco Central de outros países:


quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

Só 8 das 35 prioridades do governo no Congresso devem avançar rapidamente

 

Só 8 das 35 prioridades do governo no Congresso devem avançar rapidamente

Textos são ligados à economia

PLs de costumes têm baixa adesão

Análise é da consultoria Metapolítica

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) entregou em 3 de fevereiro aos presidentes do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), e da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), uma lista com 35 projetos prioritários para o governoSérgio Lima/Drive/Poder360 – 3.fev.2021


10.fev.2021 (quarta-feira) - 6h02

Fonte: Poder 360

Das 35 propostas consideradas prioritárias pelo governo de Jair Bolsonaro, em tramitação no Congresso, são 8 as que têm interesse de tramitação e aprovação rápida pelos congressistas. Há 11 com probabilidade média. E outras 16 têm pouca brecha para avançar neste ano.Essa é a análise da Metapolítica.

A consultoria leva em conta a lista de projetos entregue na semana passada por Jair Bolsonaro (sem partido) aos novos presidentes do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), e da Câmara, Arthur Lira (PP-AL).

Na avaliação da Metapolítica, a Câmara é onde há mais textos onde há chance de tramitação acelerada: 5 projetos, todos ligadas à pauta econômica. Dentro dessa lista, está o texto que dá autonomia ao Banco Central –que deve ser votado nesta 4ª feira (9.fev.2021)– e a reforma administrativa –citada como prioritária por Lira.

Ao todo, existem 19 projetos listados pelo governo Bolsonaro como de maior interesse na Casa Baixa. A seguir a lista completa e o interesse político no Congresso:

NO SENADO, 3 COM MAIS CHANCES

Há 16 projetos listados, 3 são os que possivelmente vão passar por análise, votação e aprovação  e aprovados no curto prazo. Assim como na Câmara, todos relacionados à economia:

ECONOMIA LIDERA

A lista de prioridades tem 23 projetos da área econômica. Os 2 principais são a PEC Emergencial e a reforma administrativa.

PAUTA DE COSTUMES PRESENTE

Há 9 textos envolvendo segurança, educação e convívio social. Entre os temas: posse de armas de fogo, pedofilia como crime hediondo e direito à educação domiciliar.

Segundo Jorge Ramos Mizael, cientista político e diretor da Metapolítica, muitos desses textos da pauta de costumes são difíceis de serem operacionalizados no Congresso.

Na avaliação do cientista, o envio da lista com esses temas sinaliza para a base de apoio de Bolsonaro de que ele está tentando aprovar os projetos. Se der errado, ele vai jogar a culpa no Congresso, na mídia, no STF e em outros. Ao mesmo tempo, o presidente articulará nos bastidores para algo avançar. Ou seja, o jogo ideológico de Bolsonaro continua, afirma Mizael.

“A narrativa que vai ganhar lá [no Congresso] vai ser a dos grandes grupos, mais precisamente o Centrão –mas eles não entram no jogo do costumes.”

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

Canal do YouTube bomba fazendo retrospectiva irônica sobre derrota de Maia e “chilique” de Doria (veja o vídeo)

 

Fotomontagem: João Doria e Rodrigo Maia
Fotomontagem: João Doria e Rodrigo Maia

O canal “Te atualizei” fez um retrospecto destas duas últimas semanas, num vídeo simples e resumido sobre os principais fatos da política nacional. Da expectativa da disputa pela presidência da Câmara até a discussão “ao vivo” entre o governador de São Paulo, João Doria e o comentarista político Rodrigo Constantino.

Em primeiro lugar, lembrou todas as especulações de Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmando que Baleia Rossi (MDB-SP) seria eleito presidente da Câmara.

“Após todas essas declarações, acompanhamos o “Botafogo”, das planilhas da Odebrechet, viver a humilhação exposta em praça pública”, disse.

DEM, por sua vez, o partido de “Botafogo”, anunciou que não estava mais no bloco de Baleia.

“O cara que ia liderar a frente ampla contra Bolsonaro, em 2022, tomou um “pé no traseiro” do próprio partido”.

Coube a ACM Neto comunicar a decisão da sigla. Revoltado, Maia disse que deixaria o partido.

“É isso, Maia, vai lá e se filie ao MBL. Você vai ter um lugar pra chamar de lar”, ironizou a youtuber.

Em seguida, é a vez do “sem prestígio”, João Doria, criticar os deputados do PSDB, partido a que pertence, por abandonarem o bloco de Baleia Rossi. Mas, após o discurso, sentou, calado, ao ouvir que o voto era secreto e que houve muitas traições e não conseguiram derrotar o candidato do presidente Jair Bolsonaro.

Capítulo especial se dá às candidaturas-relâmpago de Alexandre Frota, Kim Kataguir e Marcel van Hattem. Este último a quem muitos chamaram de sempre “em cima do muro”.

O mais surpreendente de se ver foi a sabedoria e discrição de Arthur Lira. No primeiro ato, como presidente da Câmara, rejeitou os partidos que registraram os blocos após o horário estipulado.

“Apesar da choradeira da oposição, que não está acostumada a ter um presidente que segue o Regimento (da casa)”, explicou.

Confira o vídeo:


Governo lista Eletrobras, costumes e reformas como prioridades no Congresso

Governo lista Eletrobras, costumes e reformas como prioridades no Congresso


O presidente Jair Bolsonaro recebe pela 1ª vez os presidentes eleitos da Câmara, Arthur Lira, e do Senado, Rodrigo Pacheco, no Palácio do Planalto

O presidente Jair Bolsonaro entregou nesta 4ª feira (3.fev.2021) uma relação de projetos prioritários aos presidentes da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG). A lista foi divida em eixos: a retomada de investimentos, as reformas fiscais e a pauta de costumes, além de outras proposições.

O Poder Executivo marcou como prioritárias as reformas tributária e administrativa, e a privatização da Eletrobras. Ainda no campo da retomada de investimentos, citou a ampliação do escopo de debêntures, a mudança no regime de partilha do petróleo e gás e a modernização do setor elétrico.

Na pauta de costumes, o governo federal pede, entre outros pontos, a análise da posse e da comercialização de armas de fogo, do aumento de pena para abuso de menores e da transformação da pedofilia em crime hediondo.

Já na pauta fiscal, o Executivo elenca a PEC Emergencial, a PEC dos Fundos e a PEC do Pacto Federativo como prioridades.

Além dos 3 principais eixos, a equipe da Secretaria de Governo do presidente Bolsonaro lista outras pautas. Entre elas a liberação da mineração em terras indígenas e o novo marco do licenciamento ambiental.

Auxílio emergencial

O presidente Jair Bolsonaro entregou o documento com a lista de preferências aos novos comandantes da Câmara e do Senado no Palácio do Planalto. Foi o 1º encontro oficial dos 3 depois das eleições do Congresso, realizadas na 2ª feira (1º.fev).

Tanto o presidente quanto os chefes das Casas legislativas disseram a jornalistas que o enfrentamento à pandemia de covid-19 estaria na lista de prioridades para votação dos congressistas.

A prorrogação do auxílio emergencial, contudo, não aparece na lista elaborada pelo governo.

Na manhã desta 4ª (3.fev), antes da reunião com Bolsonaro, Pacheco e Lira assinaram um documento de compromisso com ações para o combate à pandemia. Disseram que buscam por um formato de auxílio emergencial que caiba no teto de gastos públicos.

Eis os projetos que o governo pediu prioridade:

Em tramitação no Senado:

  • Pauta de retomada dos investimentos:
    • PL 3178/2019 – Partilha Petróleo e Gás Relator
    • PLS 232/16 – Modernização do Setor Elétrico
    • PLS 261/2018 – Ferrovias Relator
  • Pauta fiscal:
    • PEC 186/20195 – PEC Emergencial
    • PEC 187/2019 – PEC dos Fundos
    • PEC 188/2019 – Pacto Federativo
    • PLP 137 – Uso dos fundos públicos para a pandemia
  • Pauta de costumes:
    • PL 3723/2019 – Armas
    • PL 216/2017 – Revisão da Lei de Drogas (corrupção de menores)
    • PL 119/2015 – Altera Estatuto do Índio contra infanticídio
  • Outras pautas:
    • PLC 8/2013 – Cobrança de pedágio (free flow)

Eis os projetos aprovados na Câmara dos Deputados e em tramitação no Senado:

  • PL 4.199/2020 – BR do Mar (Cabotagem)
  • PLP 146/2019 – Startups
  • PL 7.843/2019 – Eficiência administrativa (Govtec)
  • PL 5191/2020 – Fundo de investimento agrícola – Fiagro

Eis os projetos prioritários na Câmara dos Deputados:

  • Pauta de retomada dos investimentos:
    • PEC 45/2019 (Câmara) e PEC 110/2019 (Senado) – Reforma Tributária
    • PL 2646/20 – Debêntures
    • PL 5877/2019 – Privatização da Eletrobrás
    • PL 5387/2019 – Marco legal do mercado de câmbio
    • PL 191/2020 – Mineração em terras indígenas
  • Pauta de costumes:
    • PL 6438/2019 – Registro, posse e comercialização de armas de fogo
    • PL 6125/2019 – Normas aplicáveis e militares em GLO
    • PL 3780/2020 – Aumento de pena para abuso sexual em menores
    • PL 6093/2019 – Documento único de transporte
    • PL 1776/2015 – Inclui pedofilia como crime hediondo
    • PL 2401/2019 – Homeschooling
  • Outras pautas:
    • PEC 32/2020 – Reforma administrativa
    • PL 3729/2004 – Licenciamento Ambiental
    • PL 5518/2020 – Concessões florestais
    • PL 2633/2020 – Regularização fundiária

Eis os projetos já aprovados no Senado Federal e em tramitação na Câmara dos Deputados:

  • PL 6726/2016 – Teto remuneratório
  • PL 3515/2015 – Superendividamento
  • PLP 19/2019 – Autonomia no Banco Central

Senado elege nova Mesa Diretora; conheça os nomes

Senado elege nova Mesa Diretora; conheça os nomes

O Senado elegeu nesta 5ª feira (2.fev.2021) sua Mesa Diretora para o biênio 2021-2022. Normalmente há acordo e candidatos únicos para cada um dos 10 cargos em disputa. Dessa vez, entretanto, houve concorrência para a 1ª vice-presidência.

PSD e MDB, que são as duas maiores bancadas do Senado, lançaram candidatos. Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB) venceu a disputa com Lucas Barreto (PSD-AP) por 40 a 33.

Além deles foram eleitos Romário (Podemos-RJ), Irajá Abreu (PSD-TO), Elmano Férrer (PP-PI), Rogério Carvalho (PT-SE), Weverton (PDT-MA), Jorginho Mello (PL-SC), Luiz do Carmo (MDB-GO) e Eliziane Gama (Cidadania-MA). Os últimos 3 foram eleitos como suplentes. Não houve interessados na 4ª suplência.

O PSD foi um dos primeiros partidos a declarar apoio a Rodrigo Pacheco (DEM-MG), que venceu com 57 votos a disputa pela presidência, mas poucos dias antes do pleito, o MDB começou a negociar os cargos da Mesa com seu bloco. Por ter 4 senadores a mais que o PSD, reivindicou a cadeira que já estava prometida.

Para os outros cargos da Mesa havia mais consenso. A 2ª vice-presidência com o senador Romário (Podemos-RJ), que representa a 3ª maior bancada da Casa. Já a 1ª secretaria ficou com Irajá Abreu (PSD-TO), a 2ª secretaria ficou para Elmano Ferrer (PP-PI) e a 4ª secretaria ficou para Roberto Rocha (PSDB-MA).

Nessas negociações também entram presidências de comissões da Casa. O PT deve ficar com a chefia da comissão de Meio Ambiente e de Direitos Humanos. Já o PSDB negocia para ficar com a de Ciência e Tecnologia.

Já a mais importante da Casa, a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), pode ficar com o agora ex-presidente Davi Alcolumbre (DEM-AP). Ele liderou a articulação e coordenou a campanha de Pacheco e por isso ficaria com a cadeira mais cobiçada entre as comissões.

O presidente Jair Bolsonaro chegou a prometer a Alcolumbre uma vaga na Esplanada em 2021. O então presidente do Senado, que deixou o posto nesta 2ª feira (1º.fev), poderia escolher a pasta que desejasse. Até a definição no Senado, o senador amapaense não havia aceitado nenhum cargo.

Além dos 2 vices-presidentes e dos 4 secretários, também foram eleitos nesta 3ª feira (2.fev) outros 3 suplentes. Eis um resumo das atribuições de cada um desses cargos:

  • 1º e 2º vice-presidente – substituem, nessa ordem, o presidente nas suas faltas ou impedimentos;
  • 1º secretário – assina a listagem com o resultado da votação realizada por meio do sistema eletrônico, lê em Plenário a correspondência oficial recebida pelo Senado e todos os documentos que façam parte do expediente da sessão. Além disso, é responsável pela supervisão das atividades administrativas da Casa, entre outras competências;
  • 2º secretário – lavra as atas das sessões secretas, as lê e assina os documentos do primeiro-secretário;
  • 3º e 4º secretários – responsáveis por fazer a chamada dos senadores, nos casos previstos no Regimento, contar os votos e auxiliar o presidente na apuração das eleições;
  • Secretários suplentes – substituem os secretários na ausência desses.

Arthur Lira elege aliados em vagas de partidos de esquerda na Mesa

Arthur Lira elege aliados em vagas de partidos de esquerda na Mesa

PAULO SILVA PINTO FEBRUARY 03, 2021

Os partidos de esquerda na Câmara, que apoiaram Baleia Rossi (MDB-SP), derrotado na eleição para presidente da Casa, conseguiram 3 cargos na Mesa Diretora: 1 titular e 2 suplentes. Mas duas dessas posições serão ocupadas por aliados de Arthur Lira (PP-AL), que venceu a disputa com Baleia.

Marília Arraes (PT-PE), eleita para 2ª Secretaria nesta 4ª feira (3.fev.2021), e o suplente Cássio Andrade (PSB-PA) são próximos a Lira, que demonstrou força com a eleição de ambos. O representante do PDT eleito suplente, Eduardo Bismarck (CE), é alinhado à cúpula do seu partido.

Os cargos na Mesa são divididos de acordo com o tamanho das bancadas dos partidos. Podem ser formados blocos, o que aumenta o poder de escolha. O grupo que tiver mais deputados eleitos tem mais postos e prioridade.

Depois de eleito presidente da Câmara, Lira invalidou o bloco de Baleia. Isso prejudicou os partidos do grupo na distribuição desses cargos. Houve protestos, e o acerto sobre quais partidos ocupariam quais posições veio apenas na tarde de 3ª feira (2.fev.2021).

Por isso a votação para os cargos da Mesa foi nesta 4ª, em vez de na 2ª feira ou na 3ª.

Uma vez decididos quais partidos ficam com os cargos, há eleição. Os 513 deputados podem votar. As legendas costumam lançar apenas um nome, depois de decisão interna. Mas qualquer deputado da sigla designada para cada posto pode se candidatar, mesmo à revelia do líder.

O candidato oficial do PT à 2ª Secretaria era João Daniel (SE). A decisão do partido foi tomada na manhã desta 4ª feira (3.fev.2021), horas antes da eleição. Não houve tempo de fazer campanha.

Marília Arraes teve a candidatura estimulada por Arthur Lira. Tinha mais trânsito entre os deputados do grupo político do presidente da Câmara. Além disso, João Daniel tem um inconveniente: a ligação com o MST (Movimento dos Trabalhadores sem Terra), que desagrada a bancada do agronegócio.

Deputados petistas estão irritados com Marília por ela ter se candidatado contra a decisão da sigla.

No caso do PSB, o candidato oficial à suplência era Marcelo Nilo (BA). A sigla teve o racha mais explícito na eleição da Câmara entre os partidos de esquerda. Metade da bancada de 30 deputados preferia Lira a Baleia Rossi.

O eleito, Cássio Andrade, era o candidato da parte do PSB próxima ao atual presidente da Câmara.

Os cargos na Mesa são cobiçados porque o colegiado toma decisões importantes. Foi a Mesa, por exemplo, que fixou em 1º de fevereiro o dia da eleição para presidente da Câmara.

Os integrantes podem nomear mais assessores que deputados em gabinetes regulares. Além disso, cada cargo tem poderes específicos dentro da estrutura da Casa. São eles:

  • Presidência – decide quais projetos os deputados vão votar no plenário e quando. Também escolhe os relatores das propostas;
  • 1ª vice-presidência – substitui o presidente na condução de sessões e faz pareceres sobre requerimentos de informações e projetos de resolução;
  • 2ª vice-presidência – substitui o presidente e examina ressarcimento de despesas médicas de deputados. Também é responsável pelas relações com os Legislativos de Estados e municípios;
  • 1ª Secretaria – responsável pelos serviços administrativos e de pessoal da Casa. Por exemplo: dá posse ao secretário-geral da Mesa e ao diretor-geral da Câmara e credencia assessores e jornalistas, além de prestadores de serviços. Também remete requerimentos de informação a ministros;
  • 2ª Secretaria – trata das relações internacionais da Câmara, incluindo emissão de passaportes para deputados;
  • 3ª Secretaria – controla o fornecimento de passagens aéreas aos deputados, examina pedidos de licença e justificativas de faltas;
  • 4ª Secretaria – distribui os apartamentos funcionais e residências para deputados, encaminha à diretoria-geral concessões de auxílio moradia.

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