terça-feira, 8 de março de 2016

“Ele pediu perdão para eu retirar o processo”, diz ex-faxineira sobre Lamacchia

“Ele pediu perdão para eu retirar o processo”, diz ex-faxineira sobre Lamacchia

07/03/2016 16:30

  • // Por: Márcio Kroehn
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Glória da Graça de Souza, 67 anos, recebeu a reportagem da DINHEIRO para falar sobre o processo que moveu contra o empresário José Roberto Lamacchia, por uso indevido do seu nome para a mudança de uma entidade sem fins lucrativos em empresa privada. Durante a conversa, que durou aproximadamente 1 hora, ela chorou em duas oportunidades e mostrou determinação para seguir até o fim.
Quando foi a primeira vez que a sra. encontrou o sr. José Roberto Lamacchia?
Foi só na minha casa, quando ele invadiu. Nunca tinha conhecido ele.
Como aconteceu essa invasão?
Fui na mercearia comprar açúcar e uma massa de bolo. Quando voltei, tinha um rapaz com uma câmera fotográfica e um taxista, parados na porta de casa. Ele disse que era repórter e perguntou seu eu era a Glória. Esperou eu responder e desceu do carro o próprio José Roberto Lamacchia, dizendo que queria falar comigo. Ele não esperou eu abrir o portão e foi entrando na minha casa.
Como foi a conversa?
Ele disse que daria uma vida melhor para mim e para meus netos. Mas eu disse que não queria nada dele. Ele me ameaçou bastante. Disse que poderia dar o melhor para mim, para eu retirar todos os processos que coloquei contra ele, pois todos eram falsos. Sempre trabalhei na prefeitura ou como diarista e batalhei para ter o que é meu. Fui na delegacia e fiz o B.O., porque ele disse que voltaria.
A sra. se sentiu ameaçada?
Sim, eu me senti ameaçada porque ele disse que iria voltar, mas não disse o que iria fazer.
E por que a sra. quer ir até o fim?
Se eu comecei ,tenho de ir até o fim. Eu ia até desfazer, quando ele ajoelhou nos meus pés. Não sou Deus para dar perdão a ninguém, quem sou eu?
Ele pediu o seu perdão?
Pediu, para eu tirar o processo. Disse que me daria R$ 600 mil, um carro e até uma moradia ‘porque olha a situação que você está’. Mas eu não quero isso. Ainda quero saber por que o meu nome estava ali. Eu me senti usada. Se você tem um documento, é seu. A pessoa que está usando é um estelionatário.
A sra. teve algum outro problema com o sr. Lamacchia?
Tive um problema quando ele foi no banco e pegou o meu holerite. Quando cheguei na minha agência, uma atendente disse que tinha tido um probleminha. Mas ela não falou nada. Algum funcionário pegou a cópia do meu holetire. Ele fez, tipo, uma procuração, sabe, para ter acesso. Depois a atendente me levou para conversar com o gerente, que pediu desculpas e disse que o funcionário foi mandado embora.
Qual é o seu banco?
O Banco do Brasil, do Jardim Marajoara.
A sra. teve de depor na Polícia Federal?
Fui chamada na Polícia Federal e compareci com meu irmão. Fui ver o que estava acontecendo, pois não sabia o que era. Eles perguntaram se eu conhecia o José Roberto Lamacchia e o Cebrasp. Disse o que estou falando agora. Contei das reuniões, das pessoas que participavam. Toda a história. Eles queriam saber tudo. Muita pressão, né?! A minha sorte é que eu soube conversar, não contei nenhuma mentira. Vi a escrivã conversando e falando que não tinha nada. E o delegado disse para me liberar, pois a ordem era de prisão.

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