Ministro faz
elogios ao vice e governo sonha com apoio
O ESTADO DE
S.PAULO
05 Dezembro 2015 | 02h 04
Surpreendido com o pedido de demissão
do ministro da Aviação Civil, Eliseu Padilha (PMDB), o Palácio do Planalto pôs
em curso uma operação para jogar água na fervura da nova crise política.
Padilha é o ministro mais ligado ao vice-presidente Michel Temer e o anúncio de
sua saída, logo após a abertura do processo de impeachment da presidente Dilma
Rousseff, foi interpretado no governo como o primeiro passo para o descolamento
do vice e o futuro desembarque do PMDB.
O assunto foi discutido ontem em
reunião de Dilma com ministros do núcleo político do governo, no Palácio da
Alvorada. Dois dias após o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ),
aceitar o pedido de impeachment contra Dilma, o governo mostrou preocupação com
o comportamento do principal aliado, que controla sete dos 31 ministérios.
"Eu penso que a maior liderança
do PMDB é o vice-presidente Michel Temer e ele vai trabalhar para unificar o
partido, que, depois do PT, é o que tem maior número de ministérios e possui
papel fundamental na governabilidade", afirmou ao Estado o ministro da
Comunicação Social, Edinho Silva. A ala pró-impeachment do PMDB tenta convencer
o ministro do Turismo, Henrique Eduardo Alves, aliado de Cunha, a entregar o
cargo, mas ele tem se recusado. Interlocutores de Dilma também telefonaram
ontem para o líder do PMDB na Câmara, Leonardo Picciani (RJ), para saber se os
dois ministros indicados pela bancada - Marcelo Castro, da Saúde, e Celso
Pansera, de Ciência e Tecnologia - continuariam nos postos. Pansera também é
homem da confiança de Cunha.
Diante da garantia de Picciani de que
tudo estava sob controle, um auxiliar de Dilma garantiu ao 'Estado' que não
haveria debandada no PMDB. Mesmo sabendo que se trata de uma missão
praticamente impossível, o Planalto tenta atrair Temer, que é presidente do
PMDB e advogado constitucionalista, para a defesa jurídica contra o
impeachment. O vice, porém, não participou nem mesmo da reunião de Dilma com 23
ministros, na quinta-feira. Nos bastidores, amigos de Temer disseram que a
presidente e ele continuam muito distantes. Além disso, fizeram questão de
desmentir qualquer ajuda jurídica de Temer.
"O governo tem clareza da
importância do vice-presidente. Ele sempre assumiu tarefas na construção da
governabilidade e penso que agora não será diferente", disse Edinho.
"Temer tem uma biografia brilhante, capacidade de diálogo muito
grande", completou o ministro.
Padilha acumulou a Secretaria da Aviação Civil com a articulação
política do governo Dilma de abril a setembro.
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