A farra obscena
O Antagonista concorda com o Estadão e o Estadão concorda com O Antagonista:"Não são auspiciosos, para dizer o mínimo, os mais recentes movimentos de Michel Temer às vésperas de, conforme tudo indica, assumir a Presidência, assim que se consumar o afastamento de Dilma Rousseff. No instante em que grande parte do País deposita suas esperanças na capacidade de Temer de articular um novo governo em bases muito diferentes das atuais, em que prevalece a cavilação dos espertalhões em detrimento dos interesses nacionais, o líder peemedebista tem se permitido associar seu nome a situações e arranjos que frustram, desde já, as expectativas a seu respeito. Cria-se a indesejada sensação de que os articuladores do novo governo, com a participação de notórios encalacrados em escândalos presentes e pretéritos, pretendem mudar tudo para, na verdade, tudo ficar como está. Ele está cometendo muitos dos erros que levaram Dilma Rousseff ao triste ponto a que ela chegou (...)
É importante que Temer tenha em mente que o Brasil já decidiu, nas gigantescas manifestações contra o desgoverno corrupto do PT, que não quer esse modelo de País – que enriquece os ladravazes, pune os cidadãos de bem e condena a coletividade ao atraso. A Nação deseja firmemente dos novos titulares do poder que simplesmente digam não aos que pretendem continuar sua farra obscena, pois o fisiologismo não é uma necessidade incontornável. Temer não pode abrir as portas nem do Jaburu nem do governo para essa gente. Deve reunir auxiliares em torno de ideias e competências – e não satisfazer interesses de pessoas e grupos que fatalmente o deixarão falando sozinho. O toma lá dá cá não faz maioria parlamentar para patrocinar reformas. Faz lambanças".
Julgamento imediato
O Estadão entrevistou Roberto Freire. E ele defendeu rapidez no julgamento final de Dilma Rousseff:O sr. defende maior rapidez para o julgamento definitivo da presidente Dilma, pelo Senado. Mas é preciso combinar com os russos, não?
Se for afastada, a presidente não tem que dar mais nenhum pitaco. Não tem que fazer nada. Está afastada. Pode até continuar morando no Alvorada, pode ter algumas regalias, porque ex-presidentes também têm isso, mas é só.
O sr. acha que a presidente afastada vai ficar parada, politicamente falando?
É por isso que eu digo: o julgamento não pode demorar. No momento em que você afasta um presidente, a responsabilidade do Senado com o país exige um julgamento de imediato, para saber se ela vai definitivamente se afastar, ou se ela vai voltar. O Senado tem que apressar isso...
Hoje ainda não existem, que se saiba, os 54 votos necessários para o afastamento definitivo.
O Lula também dizia, lá no bunker dele, que ia ter um terço para barrar o processo, na Câmara. Mas não adianta ficar imaginando, porque nunca terá um momento que a gente possa dizer ‘eu agora tenho certeza que vou ter isso’. Não é assim. Não pode ser decidido por ser mais oportuno, por questões menores. O País exige que esse processo se resolva o mais rápido possível, até para saber se ela continua ou se ela vai embora.
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