Impeachment está praticamente decidido, diz senadora Rose de Freitas
Notícia Publicada em 22/04/2016 14:56
Integrante da comissão especial afirma que, dificilmente, a presidente Dilma Rousseff escapará do impedimento
Rose de Freitas: para senadora, vantagem está com os que apoiam o impeachment de Dilma (Senado Federal/ Flickr.)
SÃO PAULO – O fato de a maioria dos senadores já se declarar favorável ao afastamento temporário da presidente Dilma Rousseff mostra que dificilmente ela escapará do impeachment. A avaliação é da senadora Rose de Freitas (PMDB-ES), uma das cinco integrantes titulares, pelo PMDB, da comissão especial que discutirá o caso no Senado.
“O resultado está praticamente decidido”, afirmou, em rápida conversa com O Financista. De acordo com a parlamentar, neste momento, é mais fácil angariar votos pró-impeachment, que virar o jogo e manter Dilma no Palácio do Planalto, mesmo que, para tanto, sejam necessários apenas um terço mais um dos 81 senadores, ou 28 votos.
Os mapas de votação mais atualizados mostram que entre 45 e 48 senadores são favoráveis ao afastamento temporário da presidente por até 180 dias, para que a Casa analise e julgue seu impedimento [são necessários 41, isto é, maioria simples, para afastar Dilma]. Isso significa que, para atingir 54 votos necessários para o impeachment, faltariam entre seis e nove adesões. Leia, a seguir, os principais trechos da conversa:
O Financista: Como a senhora avalia o clima no Senado, às vésperas do início dos trabalhos da comissão especial?
Rose de Freitas: ). Haverá um primeiro grande embate em torno da indicação do relator [Antonio Anastasia, PSDB-MG. O ambiente é hostil, mas, uma vez superado esse embate preliminar, os trabalhos tendem a correr sem problemas. Ao contrário da Câmara dos Deputados, onde as influências regionais são muito fortes, o Senado busca uma visão de conjunto. Temos que tomar muito cuidado, porque estaremos dando a sentença final.
Rose de Freitas: ). Haverá um primeiro grande embate em torno da indicação do relator [Antonio Anastasia, PSDB-MG. O ambiente é hostil, mas, uma vez superado esse embate preliminar, os trabalhos tendem a correr sem problemas. Ao contrário da Câmara dos Deputados, onde as influências regionais são muito fortes, o Senado busca uma visão de conjunto. Temos que tomar muito cuidado, porque estaremos dando a sentença final.
O Financista: A indicação de Anastasia para relator compromete a credibilidade da comissão?
Freitas: O partido dele, o PSDB, já se colocou a favor do impeachment e contrário a qualquer saída que beneficie a presidente. Mas Anastasia é uma pessoa muito centrada; muito responsável. Embora seja a favor da saída de Dilma, ele ouvirá todos os argumentos em defesa da presidente. Vai promover um amplo debate, com todo o direito de defesa de Dilma.
Freitas: O partido dele, o PSDB, já se colocou a favor do impeachment e contrário a qualquer saída que beneficie a presidente. Mas Anastasia é uma pessoa muito centrada; muito responsável. Embora seja a favor da saída de Dilma, ele ouvirá todos os argumentos em defesa da presidente. Vai promover um amplo debate, com todo o direito de defesa de Dilma.
O Financista: Dilma conseguirá barrar o impeachment no Senado?
Freitas: Acredito que seja muito difícil. O resultado já está praticamente decidido. Não haverá muitas alterações; talvez um ou outro senador mude de posição, como ocorreu com os deputados na Câmara. Mas, se mais de 41 senadores já apoiam o afastamento temporário de Dilma, não há muita dificuldade em alcançar os 54 necessários para o impeachment.
Freitas: Acredito que seja muito difícil. O resultado já está praticamente decidido. Não haverá muitas alterações; talvez um ou outro senador mude de posição, como ocorreu com os deputados na Câmara. Mas, se mais de 41 senadores já apoiam o afastamento temporário de Dilma, não há muita dificuldade em alcançar os 54 necessários para o impeachment.
O Financista: A senhora acredita que o governo tentará derrubar o impeachment no STF?
Freitas: Seria difícil. O próprio presidente do STF, Ricardo Lewandowski, já afirmou que a corte só se manifestará em casos de dúvida sobre o rito do processo, e não sobre o mérito. Julgar o mérito do impeachment, isto é, se há motivos para Dilma deixar o cargo, caberá ao Congresso.
Freitas: Seria difícil. O próprio presidente do STF, Ricardo Lewandowski, já afirmou que a corte só se manifestará em casos de dúvida sobre o rito do processo, e não sobre o mérito. Julgar o mérito do impeachment, isto é, se há motivos para Dilma deixar o cargo, caberá ao Congresso.
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