Meirelles nega ter recebido convite para assumir Fazenda
LUÍSA MARTINS - O ESTADO DE S.PAULO
23 Abril 2016 | 18h 59 - Atualizado: 23 Abril 2016 | 19h 25
Ex-presidente do Banco Central se reuniu com vice no Palácio do Jaburu, em Brasília, na tarde deste sábado
BRASÍLIA - Após se reunir com o vice-presidente Michel Temer na tarde deste sábado, 23, o ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles disse que não recebeu convite oficial para ocupar o cargo de ministro da Fazenda em um eventual governo do vice. Questionado pelos jornalistas se aceitaria o posto, Meirelles respondeu: "Não trabalho com hipóteses".
Ele acrescentou, no entanto, que está disposto a aconselhar Temer, como sempre fez. Meirelles falou na saída do Palácio do Jaburu, onde participou de reunião nesta tarde com Temer, o presidente do PSD, Gilberto Kassab, e o presidente do PMDB, senador Romero Jucá (PMDB-RR). Filiado ao PSD, Meirelles é um dos nomes que estão sendo cotados para a pasta da Fazenda caso Michel Temer assuma Presidência, em decorrência de impeachment da presidente Dilma Rousseff no Senado.
Mais cedo, um grupo de cerca de 150 pessoas fez um protesto em frente à residência oficial do vice-presidente da República. O movimento, intitulado "Escracho contra Temer", tem o objetivo, segundo os organizadores, de denunciar o "golpe" que vem sendo articulado pelo vice-presidente e o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), contra a democracia e a presidente Dilma Rousseff (PT).
‘Escracho’. O protesto é realizado no mesmo dia em que Temer receberá o ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles, cotado para assumir o Ministério da Fazenda em um eventual governo do peemedebista.
Roberto Policarpo, ex-deputado federal e presidente do PT do Distrito Federal, participou do protesto e fez um breve discurso aos manifestantes, no qual afirmou que o partido não vai reconhecer o governo de Temer caso o "golpe" não seja barrado no Senado. Segundo ele, se o impedimento de Dilma prosperar, o governo Temer será ilegítimo. "O Temer não vai governar este País com um dia sequer de sossego. Se o Senado não barrar o golpe, nós vamos parar ele nas ruas". O político acrescentou que a luta contra o "golpe" também vai continuar no Supremo Tribunal Federal (STF).
Um dos militantes disse que o grupo veio dar um recado a Temer, de que não aceita qualquer tipo de retrocesso no País. "Nós não vamos aceitar nenhum retrocesso nos direitos dos trabalhadores", afirmou um dos líderes do movimento. Adi Spezia, do Levante Popular da Juventude, acrescentou que eles decidiram realizar esse protesto hoje justamente porque Temer receberá visitas. Segundo ela, o movimento continuará protestando contra a postura do vice-presidente.
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