'Vamos viver uma agonia cada dia', diz Janot sobre Temer
BETO MORAES, ESPECIAL PARA AE, E RICARDO GANDOUR - O ESTADO DE S.PAULO
22 Abril 2016 | 10h 54 - Atualizado: 22 Abril 2016 | 13h 15
Procurador-geral da República também disse que mensalão e Lava Jato eram operação única para lesar cofres públicos
Cambridge - O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, admitiu na manhã desta sexta-feira, 22, no auditório da Brazil Conference, no Massachusetts Institute of Technology (MIT), a possibilidade do afastamento da presidente Dilma Rousseff, mas não quis comentar sobre um governo nas mãos do hoje vice Michel Temer. "Vamos viver uma agonia cada dia", falou, em tom irônico.
O procurador acredita também que não deve demorar para que o futuro do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), seja definido. "Nós enviamos várias denúncias contra ele e mais duas devem ser consideradas em breve pelo Supremo. Não podemos admitir que o terceiro homem na linha sucessória tenha um passado como o dele", afirmou.
Janot disse que as investigações que envolvem políticos no Brasil não podem parar e que o mundo espera uma resposta contundente da Justiça brasileira. Segundo ele, não há espaço para se conviver com a corrupção. "A investigação para pôr fim ao escândalo que abala o País não será interrompida, mas terá um fim que não deve demorar", afirmou Janot, ressaltando que o Ministério Público deve ajudar na reforma política necessária ao País.
Lava Jato - Rodrigo Janot também disse estar convencido de que o mensalão e a Lava Jato foram uma "operação única, articulada para lesar os cofres públicos".
"Os fatos mostram que a operação revelada pela Ação Penal 470 (mensalão) e a Lava Jato estão interligados. O mensalão era a ponta do iceberg", afirmou Janot. Ele também defendeu o recurso da delação premiada para o avanço das investigações. "21% das colaborações premiadas na Lava Jato são de pessoas presas", afirmou.
O PGR refutou a tese de que a crise política e econômica que o Brasil enfrenta hoje tenha sido gerada pela investigação dos escândalos de corrupção. "O que aconteceu é que descobrimos um descomunal esquema de corrupção. Um círculo nada virtuoso: o poder político facilita acessos a recursos. E quanto mais acesso a recursos se tem, mais se tem poder político", disse. "Quanto à economia, acreditamos que os investidores querem segurança e transparência".
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