terça-feira, 7 de junho de 2016

A lição da Lava Jato: Jamais se curve à mentira

A lição da Lava Jato: Jamais se curve à mentira

Delações de Marcelo Odebrecht, Léo Pinheiro e Sérgio Marchado são vitórias da força-tarefa

Por: Felipe Moura Brasil  

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I.
No vídeo “A vitória da Lava Jato contra a mentira de criminosos”, que gravei para a TVeja em 23 de março, comentei a decisão de Marcelo Odebrecht de fazer delação premiada mostrando em imagens o contraste entre o que o empreiteiro afirmava inicialmente sobre a hipótese de delatar corruptos e a atitude que estava prestes a tomar.
Agora que ele, condenado a 19 anos de prisão, afirmou que Dilma exigiu R$ 12 milhões para o caixa dois da campanha de reeleição em encontro privado entre ambos, sendo metade para pagar o marqueteiro João Santana e a outra para ser repassada ao PMDB, e que a Odebrecht pagava mesada de R$ 50 mil ao “menino de Dilma” – o ex-secretário particular da petista, Anderson Dorneles – por meio do ex-apaniguado do PT em cargos no governo Douglas Franzioni, sócio de Anderson em um bar no estádio Beira-Rio reformado pela empreiteira do petrolão Andrade Gutierrez, vale a pena lembrar o vídeo.

II.
Marcelo, segundo a VEJA, capitaneou o movimento “Volta, Lula” em 2014, doou R$ 4,6 milhões ao Instituto Lula, pagou R$ 3 milhões por suas palestras e, de lambuja, contratou Taiguara Rodrigues, o sobrinho da primeira esposa do petista.
Embora ainda não esteja claro se Marcelo vai poupar Lula, claro está que Léo Pinheiro, da OAS, outrora igualmente resistente em negociar delação, já começou a entregar o “chefe” (como ele próprio chama Lula).
Folha trava
Em conversas preliminares, Pinheiro, condenado a 16 anos de prisão, confessou que:
– Lula atuava como lobista da OAS e era devidamente remunerado;
– o próprio Lula pediu que reformasse o sítio em Atibaia, aquele que Lula usa e diz que não lhe pertence;
– a OAS considerava a unidade 164-A do edifício Solaris no Guarujá “o apartamento do Lula”, que era proprietário do imóvel até sua existência ser revelada pela imprensa;
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Lula e Léo em visita ao tríplex
– deu um emprego ao marido de Rosemary Noronha, a amiga íntima de Lula demitida do cargo de chefe do escritório da Presidência em São Paulo depois de ter sido flagrada em tráfico de influência;
– a OAS pagava mesada a Rose, a pedido de Lula;
– repassou, via caixa dois, dinheiro para a reeleição de Lula, em 2006, e para as duas campanhas presidenciais de Dilma, em 2010 e 2014;
– a verba desses repasses saía de uma espécie de ‘fundo da propina’, uma contabilidade paralela que registrava as comissões desviadas ao PT por obras federais;
– nesse caixa estavam os milhões de reais pagos por intermédio dos ex-ministros Antonio Palocci e Erenice Guerra pelas obras da Usina de Belo Monte;
– tratou de propina com o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega e com o ex-presidente do BNDES, Luciano Coutinho.
No vídeo “Brasil se impõe contra Foro de São Paulo”, de 14 de maio, comentei sobre a velha cumplicidade de Lula e Coutinho. Vale a pena lembrar também:
III.
O ex-presidente da Transpetro, Sergio Machado, era outro que jurava inocência. Mas a Lava Jato descobriu, segundo a VEJA, um ponto sensível capaz de dobrá-lo. Rastreando a rota do dinheiro do petrolão no exterior, a operação chegou a transações realizadas por um dos filhos de Machado, controlador de um fundo bilionário sediado em Londres.
Resultado: Machado diz ter repassado R$ 60 milhões de propina a três figurões do PMDB – os senadores Renan Calheiros e Romero Jucá e o ex-presidente José Sarney.
Parabéns à força-tarefa e ao juiz Sergio Moro por insistirem nas investigações, em busca de provas, sem jamais se curvarem à mentira de potenciais ou reais criminosos.
O Brasil agradece.
equipe-Lava-Jato-MPF

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