quinta-feira, 9 de junho de 2016

Propina de Cunha pagou luxos de Cláudia Cruz, diz Procuradoria



Propina de Cunha pagou luxos de Cláudia Cruz, diz Procuradoria

POR FAUSTO MACEDO, JULIA AFFONSO, RICARDO BRANDT E MATEUS COUTINHO
09/06/2016, 13h14
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Mulher do parlamentar consumiu US$ 854.387,31 em artigos de grife, como bolsas, sapatos e roupas femininas

Foto: Reprodução
Eduardo Cunha, a filha do parlamentar, Danielle Dytz, e Claudia Cruz. Foto: Reprodução
Na denúncia que entregou à Justiça Federal contra a mulher do deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), a Procuradoria da República sustenta que Cláudia Cruz usou propina paga ao marido no esquema de corrupção da Petrobrás para cobrir elevadas despesas com luxos comprados no exterior. Segundo a acusação, recebida nesta quinta-feira, 9, pelo juiz federal Sérgio Moro, a mulher do parlamentar consumiu US$ 854.387,31 em artigos de grife, como bolsas, sapatos e roupas femininas.
“Os recursos que aportaram na conta de Cláudia Cruz foram utilizados, por exemplo, para pagar compras de luxo feitas com cartões de crédito no exterior”, aponta a Procuradoria, que atribui à ré os crimes de lavagem de dinheiro e de evasão de divisas.
“Outra parte dos recursos foi destinada para despesas pessoais diversas da família de Cunha, entre elas o pagamento de empresas educacionais responsáveis pelos estudos dos filhos do deputado afastado, como a Malvern College (Inglaterra) e a IMG Academies LLP (Estados Unidos).”
De acordo com a denúncia, Cláudia Cruz ainda manteve depósitos não declarados às repartições federais na offshore Köpek em montante superior a US$ 100 mil entre os anos de 2009 e 2014, o que constitui crime contra o sistema financeiro nacional.
Os procuradores da força-tarefa Lava Jato sustentam que o dinheiro teve origem no esquema de corrupção instalado na diretoria Internacional da Petrobrás. A ação penal proposta na última segunda-feira, 6, foi recebida integralmente nesta quinta-feira, 9, pelo juiz da 13.ª Vara Federal Criminal de Curitiba, que deu publicidade à acusação e determinou nova prisão de João Augusto Rezende Henriques.
Sérgio Moro. Foto: Dida Sampaio/Estadão
Os investigadores apontaram que Cláudia tinha plena consciência dos crimes que praticava e é a única controladora da conta em nome da offshore Köpek, na Suíça, por meio da qual pagou despesas de cartão de crédito no exterior em montante superior a US$ 1 milhão num prazo de sete anos (2008 a 2014), valor totalmente incompatível com os salários e o patrimônio lícito de seu marido. Quase a totalidade do dinheiro depositado na Köpek (99,7%) teve origem nas contas Triumph SP (US$ 1.050.000,00), Netherton (US$ 165 mil) e Orion SP (US$ 60 mil), todas pertencentes a Eduardo Cunha.
Segundo a Procuradoria, as contas de Eduardo Cunha no exterior eram utilizadas para, ’em segredo a fim de garantir sua impunidade, receber e movimentar propinas, produtos de crimes contra a administração pública praticados pelo deputado hoje afastado da presidência da Câmara’. Por meio da mesma conta Köpek, Cláudia Cruz teria se favorecido de parte de valores de uma propina de cerca de US$ 1,5 milhão que o marido teria recebido para “viabilizar” a aquisição, pela Petrobras, de 50% do bloco 4 de um campo de exploração de petróleo na costa do Benin, na África, em 2011.
Também são acusados nesta denúncia Jorge Luiz Zelada, ex-diretor da Área Internacional da estatal petrolífera, pelo crime de corrupção passiva; João Augusto Rezende Henriques, operador que representava os interesses do PMDB no esquema, por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e evasão de divisas; e Idalecio Oliveira, empresário português proprietário da CBH (Companie Beninoise des Hydrocarbures Sarl), pelos crimes de corrupção ativa e lavagem de dinheiro.
COM A PALAVRA, O CRIMINALISTA PIERPAOLO BOTTINI
Claudia Cruz responderá às imputações como fez até o momento, colaborando com a Justiça e entregando os documentos necessários à apuração dos fatos. Destaca que não tem qualquer relação com atos de corrupção ou de lavagem de dinheiro, não conhece os demais denunciados e jamais participou ou presenciou negociações ilícitas.

Procuradoria revela os caminhos do dinheiro ilícito de Cláudia Cruz

POR JULIA AFFONSO, MATEUS COUTINHO E RICARDO BRANDT
09/06/2016, 15h49
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Ministério Público Federal rastreou propina para deputado afastado Eduardo Cunha (PMBD/RJ), desde negócio da Petrobrás na África até a transferência de parte dos valores da conta Netherton para a offshore Köpek, em nome da mulher do parlamentar que virou ré do juiz Sérgio Moro
ARANHA DA PROPINA
A força-tarefa da Operação Lava Jato rastreou minuciosamente o dinheiro que Cláudia Cruz, mulher do deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB/RJ), usou à farta no exterior para compras de artigos de luxo, como bolsas, sapatos e roupas nas lojas e departamentos mais requintados da Europa. Nesta quinta-feira, 9, o que tanto Eduardo Cunha temia aconteceu: Cláudia virou ré do juiz federal Sérgio Moro, que recebeu denúncia da Procuradoria da República contra a mulher do parlamentar pelos crimes de lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
O caminho do dinheiro começa no pagamento da Petrobrás à petroleira CBH, que controlava um campo de petróleo na África. Em 3 de maio de 2011 a estatal brasileira transferiu US$ 34,5 milhões (R$ 138.345.000,00) para a empresa e, na mesma data, houve a transferência de US$ 31 milhões da CBH para Lusitania Petroleum, uma holding de propriedade de Idalecio de Oliveira que, abrange, entre outras empresas, a própria CBH.
Segundo a investigação, no dia 5 do mesmo mês a Lusitania depositou US$ 10 milhões em favor da offshore Acona, de propriedade de João Augusto Rezende Henriques, apontado como operador do PMDB no esquema da Petrobrás. “Os US$ 10 milhões já haviam sido combinados como pagamento de vantagem indevida”, afirma a Procuradoria.
A perseguição ao dinheiro mostra que da offshore Acona, 1.311.700,00 de francos suíços foram depositados na conta Orion SP, de propriedade de Eduardo Cunha, por meio de cinco transferências bancárias entre os dias 30 de maio e 23 de junho de 2011.
Os investigadores descobriram que ‘para dar continuidade ao estratagema criminoso e dificultar a identificação dos recursos ilícitos por parte das autoridades’, em 11 de abril de 2014 a offshore Orion SP repassa para a conta Netherton, cujo beneficiário final também era Eduardo Cunha, 970.261,34 mil francos suíços e 22.608,37 euros.
Na sequência, em agosto de 2014, houve a transferência de US$ 165 mil da conta Netherton para a offshore Köpek, em nome de Cláudia Cruz.
A conta Köpek, segundo a Procuradoria, desde 2008 já era abastecida ‘por recursos de vantagens indevidas provenientes de outras contas secretas titularizadas por Eduardo Cunha’. Da Kopec saíram pagamentos das faturas de cartão de crédito da American Express entre 2008 e 2012 e da Corner Card, entre 2012 e 2015. Todos os pagamentos são descritos na denúncia contra Cláudia Cruz.
Segundo as investigações, o restante do valor da propina paga pela CBH para fechar o negócio com a Petrobrás (em torno de US$ 8,5 milhões) e que foi depositado na conta Acona, de João Augusto Rezende Henriques, foi distribuído para diversas outras offshores cujos beneficiários ainda não foram identificados, havendo suspeitas de que outros agentes públicos receberam propinas nessa operação.
Os procuradores da força tarefa da Lava Jato ressaltam que “as provas que embasaram as acusações indicam a existência de um quadro de corrupção sistêmica encravado em praticamente todos os contratos da Diretoria Internacional da Petrobrás, sendo que o pagamento de propina era a verdadeira ‘regra do jogo'”.
Para a força-tarefa, as provas mostram desvio de recursos dos cofres da Petrobrás. “Em última análise, há evidências de que Eduardo Cunha e Cláudia Cruz se beneficiaram de recursos públicos que foram convertidos em bolsas de luxo, sapatos de grife e outros bens de uso privado.”
COM A PALAVRA, O CRIMINALISTA PIERPAOLO BOTTINI
Claudia Cruz responderá às imputações como fez até o momento, colaborando com a Justiça e entregando os documentos necessários à apuração dos fatos. Destaca que não tem qualquer relação com atos de corrupção ou de lavagem de dinheiro, não conhece os demais denunciados e jamais participou ou presenciou negociações ilícitas.

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